17/05/2026
Experiência com Endometriose!
Venho partilhar a experiência de uma paciente que durante muitos anos ignorava o que realmente era a endometriose. Mas através da publicação de segunda-feira, finalmente entendi o que estava a acontecer comigo. Por isso decidi contar a minha história.
O meu ventre de endometriose não era apenas “inchaço como pode ver na fotografia que enviei”.
E eu percebi isso tarde demais.
Durante 6 anos, achei que o meu abdómen inchado era apenas um problema digestivo. Pensava que eram gases, inflamação intestinal, intolerâncias alimentares ou algo que eu comia errado.
Durante 6 anos, tratei o meu ventre como um problema de digestão.
E durante 6 anos, lutei contra o inimigo errado.
Tenho endometriose desde os 24 anos. Fui diagnosticada aos 28, depois de 4 anos de sofrimento, dores e consultas sem respostas. Hoje tenho 37 anos. Conheço bem a doença. As lesões. A inflamação. As dores incapacitantes. Os tratamentos hormonais. Já fiz uma laparoscopia aos 30 anos.
Mas o ventre… o ventre eu nunca consegui controlar.
De manhã, ele parece quase normal. Olho no espelho às 7h30 e penso que talvez seja um bom dia. Visto-me e vou trabalhar.
Ao meio-dia começa o desconforto. Primeiro sinto uma pressão. Depois noto a roupa mais apertada.
Às 15h já é impossível ignorar. A barriga f**a redonda, dura e inchada. Aprendi a usar roupas largas para esconder. Mas eu sinto tudo. Sentar torna-se desconfortável. Inclino-me para frente só para aliviar a pressão.
Às 18h parece um balão. Tensa. Dolorosa. Como se estivesse grávida de 5 meses. No carro, ao voltar para casa, desabotoo as calças porque já não aguento mais.
E no dia seguinte de manhã?
Quase plana novamente. Como se nada tivesse acontecido.
Todos os dias. Desde os 28 anos.
Pior antes e durante a menstruação. Mas presente até nos dias “bons”.
Fiz tudo o que uma mulher com endometriose costuma fazer quando vive constantemente inchada:
Dieta anti-inflamatória.
Sem glúten.
Sem lactose.
Sem açúcar refinado.
Chás.
Cúrcuma.
Probióticos.
Suplementos.
Segui tudo corretamente.
Resultado?
As dores menstruais melhoraram um pouco.
O intestino funcionava melhor.
Mas às 15h… o meu ventre continuava exatamente igual.
Foi aí que percebi algo doloroso:
Nem todo ventre inchado é digestão.
Às vezes é inflamação pélvica.
Aderências.
Endometriose profunda.
Um corpo cansado de lutar contra uma doença invisível.
E o pior não era a barriga.
Era ouvir:
“Isso são gases.”
“Talvez seja ansiedade.”
“Você precisa emagrecer.”
“É normal da TPM.”
Não. Não era normal.
Era endometriose.
Brevemente irei procurar acompanhamento e iniciar o meu tratamento, porque hoje entendo que sofrer em silêncio não resolve o problema.
“fertilidade é a nossa paixão”
Consultor da medicina natural