10/04/2026
Desculpe a ousadia, mas na verdade estou cansada de ser usada e depois largada por causa do meu estado de saúde.
Este foi o desabafo de uma mulher de 26 anos que vive com HIV e que tende a sofrer rejeição por parte de parceiros com quem tenta manter um relacionamento.
Caro SIDAdão, o simples facto de seres uma pessoa que vive com HIV não significa que o teu valor como pessoa acabou. Não deve ser por essa razão que devas humilhar-te ou “mendigar” um relacionamento. Uma coisa é certa: quem ama de verdade, mesmo que descubra a situação de seropositividade e, inicialmente, fique em choque, procura formas de compreender e, muitas vezes, de manter a relação. Pelo menos penso assim.
O que acontece é que algumas mulheres tendem a sentir-se menos mulheres pelo facto de viverem com HIV. Isso faz com que entrem em certos relacionamentos por acreditarem que não têm escolhas, ou acabem na ilusão de que é mais fácil encontrar alguém que esteja na mesma situação (pode ate funcionar). No entanto, questões relacionadas ao amor e ao seroestado geram muitas controvérsias.
É importante saber que, mesmo vivendo com o vírus, não se perde o valor como pessoa. Além disso, vivemos numa época em que, mesmo não sendo seropositivo, já é difícil manter uma relação. Portanto, não há razão para se submeter ou rebaixar por viver nessa condição. Há necessidade de conhecer bem a pessoa, construir uma relação saudável e aberta, incluindo diálogo, testagem de HIV, uso de pr********vo e, quando necessário, adesão à PrEP.
Ainda assim, isso não garante que o parceiro a quem se revela o seroestado irá manter-se na relação. Isso depende muito da preparação psicológica e do nível de informação que a pessoa tem sobre o assunto. Porém, o que pretendo enfatizar é que ninguém deve mendigar relacionamentos por ser HIV positivo.
Continuas a ser uma pessoa especial, e serás sempre especial aos olhos de quem realmente valoriza. O HIV não define quem és nem elimina o teu valor.