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O Bloqueio de Ramo Direito (BRD) é uma perturbação da condução intraventricular em que o estímulo elétrico oriundo do nó...
04/10/2026

O Bloqueio de Ramo Direito (BRD) é uma perturbação da condução intraventricular em que o estímulo elétrico oriundo do nó auriculoventricular (AV) não consegue propagar-se de forma rápida pelo ramo direito do Feixe de His. Como consequência, a despolarização do ventrículo direito (VD) ocorre de forma atrasada e célula a célula (através do miocárdio ventricular), a partir do ventrículo esquerdo (VE).
1. Fisiopatologia da Condução
* Ventrículo Esquerdo (Normal): O ramo esquerdo conduz o impulso normalmente, despolarizando o septo interventricular e a parede livre do VE em tempo normal.
* Ventrículo Direito (Atrasado): A despolarização do VD acontece tardiamente, gerando um vetor elétrico direcionado para a direita e para a frente, responsável pelas morfologias caraterísticas observadas nas derivações precordiais.
2. Critérios Eletrocardiográficos Clássicos (BRD Completo)
1. Duração do QRS:
* BRD Completo: QRS largo >ou= 120ms (>ou= 3pequenos quadrados).
* BRD Incompleto: Morfologia de BRD, mas com duração do QRS entre 100ms e 119 ms.
2. Morfologia nas Derivações Precordiais Direitas (V1 e V2):
* Padrão clássico em rSR' ou rsR' (conhecido como "orelhas de coelho"), em que a onda R' é habitualmente maior do que a onda r inicial.
* Por vezes, apresenta-se como uma onda R larga e entalhada em V1.
3. Morfologia nas Derivações Esquerdas (V5, V6, I e aVL):
* Onda S empastada/alargada e profunda, refletindo o atraso no final da condução para o ventrículo direito.
4. Alterações Secundárias da Repolarização:
* Inversão da onda T e infraprosnivelamento do segmento ST nas derivações precordiais direitas (V1–V3), opostas à deflexão principal do QRS.

5. Importância Clínica e Diagnóstico Diferencial
* Pessoas Saudáveis: Ao contrário do Bloqueio de Ramo Esquerdo (BRE), o BRD pode surgir em indivíduos jovens e sem cardiopatia estrutural conhecida (achado benigno de exame).
* Condições Associadas:
* Cor pulmonale e sobrecarga de pressão/volume do VD.
* Tromboembolismo Pulmonar (TEP) — aparecimento agudo de BRD.
* Hipertensão Pulmonar.
* Comunicação Interauricular (CIA) — muito associada ao BRD incompleto.
* Cardiopatia Isquémica / Enfarte Agudo do Miocárdio.
* Diagnóstico Diferencial no ECG:
* Síndrome de Brugada (elevação do segmento ST em selim ou cúpula em V1–V3).
* Displasia Arritmogénica do Ventrículo Direito (DAVD) (presença da onda Epsilon).
* Sobrecarga Ventricular Direita (SVD).

03/10/2026
03/10/2026

DERRAME DO PERICÁRDIO
O derrame pericárdico é definido como acúmulo anormal de líquido pericárdico, o derrame
pericárdico (DP) representa uma das principais síndromes pericárdicas. Em condições fisiológicas, o espaço pericárdico
contém de 10 a 50 mL de ultrafiltrado plasmático (líquido pericárdico) que
lubrifica as camadas pericárdicas, permitindo movimentos das câmaras
cardíacas sem atrito com as estruturas mediastinais circundantes.

Os DP podem ser classificados de
acordo com cinco características principais:
Início – agudo ou subagudo vs. crônico quando dura >3 meses;
Tamanho – geralmente de acordo com avaliação semiquantitativa,
que se mostrou útil também para estimar a risco de etiologia
específica e complicações durante o acompanhamento;
Distribuição – loculada e circunferencial;
Efeito hemodinâmico – com ou sem tamponamento cardíaco; e
Composição – transudato, exsudatos, sangue, ar, entre outros.

ETIOLOGIA
Cardiology (ESC) para o tratamento do DP classificaram a etiologia em
infecciosa e não infecciosa 6. Entre as causas infecciosas, os agentes mais
comuns são os vírus, como Coxsackie A e B, echovírus, adenovírus, influenza
e vírus do herpes humano. As infecções bacterianas que podem levar ao DP
são representadas por Coxiella burnetii, meningococo, pneumococo,
estafilococo e estreptococo18. Em revisão de Mayosi et al10 relataram que a
tuberculose é a causa mais comum de pericardite nos países em
desenvolvimento.

O DP pode ser secundário a doenças não infecciosas, como doenças autoimunes, incluindo lúpus eritematoso sistêmico, artrite reumatoide,
síndrome de Sjogren, sarcoidose; tumores primários, como mesotelioma
pericárdico; tumores secundários, a exemplo de câncer de pulmão e câncer
de mama, linfomas e melanoma; infarto agudo do miocárdio, como síndrome
de Dressler; insuficiência renal crônica; hipotireoidismo (mixedema); radiação
mediastinal; lesão direta (lesão torácica penetrante).

SINAIS E SINTOMAS
Dispneia (Falta de ar): O sintoma mais frequente, que se agrava ao esforço físico ou ao deitar (ortopneia).
Dor Torácica
Sensação de Peso ou Pressão no Peito
Tosse Seca e Rouquidão
Disfagia
Astenia e Fadiga

DIAGNÓSTICO
Várias técnicas de imagem são utilizadas para avaliar o DP. A
avaliação primária de deve focar na avaliação do tamanho do derrame,
progressão para tamponamento cardíaco, presença de pericardite
coexistente, duração do derrame e presença de doenças subjacentes. Durante décadas, a ecocardiografia transtorácica é a modalidade
diagnóstica de escolha para a avaliação definitiva do DP – recomendação
Classe I, LOE C de acordo com as diretrizes da ESC de 20156. O exame
fornece uma avaliação detalhada do tamanho e localização do derrame,
enquanto avalia a progressão para tamponamento cardíaco. O DP se
apresenta como um líquido anecoico, localizado entre o pericárdio e o
epicárdio, enquanto derrames com coágulo ou exsudato podem apresentar
aspecto variado. Além disso, a ecocardiografia fornece uma avaliação do
tamponamento cardíaco, identificando condições em que as pressões
intracardíacas são menores que as pressões intrapericárdicas.
Consequentemente, colapso ou inversão da parede livre do átrio direito na
sístole, colapso da parede livre do VD na diástole, elevação do septo no VD
na expiração e no VE na inspiração e maior fluxo pela válvula mitral na
expiração e da válvula tricúspide na inspiração indicam a presença de
tamponamento pericárdico

TRATAMENTO
As diretrizes da ESC sobre o manejo de doenças pericárdicas
apresentam uma recomendação de Classe I para a realiza de
pericardiocentese para derrames moderados a grandes6. Sob anestesia local,
a pericardiocentese pode ser realizada por meio de fluoroscopia ou
orientação ecocardiográfica. A técnica guiada por ecocardiografia é
amplamente utilizada, devido à sua rápida acessibilidade e segurança à beira
do leito. Em um estudo com 1.000 pacientes, essa abordagem mostrou uma
taxa de sucesso de 97%.
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11/09/2026
A fibrilação atrial (FA) é a arritmia cardíaca sustentada mais frequente na prática clínica. Sua fisiopatologia resulta ...
12/07/2026

A fibrilação atrial (FA) é a arritmia cardíaca sustentada mais frequente na prática clínica. Sua fisiopatologia resulta da interação entre gatilhos elétricos e um substrato atrial anormal, levando à perda da atividade elétrica organizada dos átrios.

1. Fisiologia normal
Em condições normais, o impulso elétrico é gerado pelo nó sinoatrial (SA), localizado no átrio direito. Esse impulso percorre ambos os átrios de forma organizada, produzindo a onda P no ECG, e segue para o nó atrioventricular (AV), feixe de His e fibras de Purkinje, promovendo uma contração sincronizada dos átrios e dos ventrículos.

2. Fisiopatologia da fibrilação atrial
Na FA, os átrios deixam de ser ativados por um único impulso proveniente do nó sinoatrial. Em vez disso, surgem múltiplos focos ectópicos e circuitos de reentrada, que geram centenas de impulsos elétricos desorganizados por minuto.
a) Gatilhos elétricos
Na maioria dos pacientes, os impulsos ectópicos originam-se nas veias pulmonares, onde existem fibras musculares que podem apresentar automatismo aumentado.
Esses focos podem disparar impulsos com frequência entre 300 e 600 ativações por minuto, desencadeando a fibrilação atrial.

b) Substrato atrial
Para que a FA seja mantida, geralmente existe uma alteração estrutural ou funcional dos átrios.
As principais alterações são:
Fibrose atrial.
Dilatação dos átrios.
Inflamação.
Estresse oxidativo.
Remodelamento elétrico.
Essas alterações tornam a condução elétrica lenta e heterogênea, favorecendo o aparecimento de múltiplos circuitos de reentrada.

c) Remodelamento elétrico
Após o início da FA, ocorre diminuição da entrada de cálcio nas células atriais, reduzindo o período refratário dos átrios.
Consequentemente: aumenta a velocidade de reaparecimento dos impulsos;
surgem mais circuitos de reentrada;
a arritmia torna-se progressivamente mais fácil de manter.

Daí surgiu a expressão:
"A fibrilação atrial gera fibrilação atrial" (Atrial fibrillation begets atrial fibrillation).

d) Remodelamento estrutural
Com a persistência da arritmia, desenvolvem-se:
fibrose;
hipertrofia celular;
apoptose;
dilatação atrial.
Essas alterações dificultam o retorno ao ritmo sinusal.

3. Consequências hemodinâmicas
Como os átrios deixam de contrair de forma eficaz:
desaparece a sístole atrial ("atrial kick"), responsável por cerca de 20–30% do enchimento ventricular em indivíduos saudáveis (e ainda mais em pacientes com disfunção diastólica);
ocorre redução do débito cardíaco;
pode surgir hipotensão, fadiga e dispneia.

4. Formação de trombos
Sem contração efetiva dos átrios, ocorre estase sanguínea, principalmente no apêndice atrial esquerdo.
Essa estase favorece:
formação de trombos;
embolização sistêmica;
acidente vascular cerebral (AVC).
Cerca de 90% dos trombos na FA não valvar originam-se no apêndice atrial esquerdo.

5. Resposta ventricular
O nó AV recebe centenas de impulsos por minuto, mas bloqueia muitos deles.
Assim:
os ventrículos respondem de forma irregular;
a frequência ventricular pode variar entre 90 e 180 bpm, dependendo da condução AV e do uso de medicamentos.

No ECG observa-se:
ausência de ondas P;
ondas fibrilatórias (ondas f);
intervalos RR completamente irregulares ("irregularmente irregular").

Principais causas que favorecem a FA

As condições mais frequentemente associadas incluem:
Hipertensão arterial.
Insuficiência cardíaca.
Doença valvar mitral.
Doença arterial coronariana.
Hipertireoidismo.
Obesidade.
Diabetes mellitus.
Apneia obstrutiva do sono.
Consumo excessivo de álcool ("holiday heart syndrome").
Envelhecimento.

Esquema resumido da fisiopatologia

Doença cardíaca ou fator de risco
↓
Remodelamento dos átrios
(fibrose + dilatação + inflamação)
↓
Focos ectópicos (veias pulmonares)
↓
Múltiplos circuitos de reentrada
↓
Ativação atrial caótica (300–600/min)
↓
Ausência de contração atrial efetiva
↓
Estase sanguínea → Trombos → AVC
↓
Condução irregular pelo nó AV
↓
Ritmo ventricular irregular

A busca de novos conhecimentos exigiu a ausência de novas publicações para aqueles que amam a saúde, mas já estamos de v...
10/07/2026

A busca de novos conhecimentos exigiu a ausência de novas publicações para aqueles que amam a saúde, mas já estamos de volta e pronto para alimentar todo profissional e curioso que desejo aprender mais…

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