27/06/2016
Materia do Jornal A Gazeta sobre Ciúmes e Internet
Quem já não teve vontade de dar uma espiadinha no face ou whatts do namorado ou namorada, marido ou esposa? Para muitos casais, é difícil conter esse desejo. Afinal, é só uma olhadinha não é mesmo? O problema é que, se no mundo real já existem estímulos suficientes para causar desavenças entre os casais, no virtual é ainda pior. Uma pesquisa feita pela Universidade do Missouri, dos Estados Unidos, concluiu que pessoas que navegam por mais de uma hora na rede social têm relações mais turbulentas.
Para a psicóloga Larissa Zimermann, especialista em terapia cognitiva comportamental, o problema não está no uso das redes sociais, e sim em comportamentos das pessoas, como por exemplo ciúme excessivo, insegurança e controle demasiado. “Sentimentos como ciúme e insegurança sempre existiram nos relacionamentos. As redes sociais somente potencializam e aumentam a necessidade de checar o que está acontecendo, o que o outro está fazendo. Hoje, as pessoas são as próprias detetives em busca de provas nas redes”.
Por este motivo, segundo ela, problemas decorrentes do uso das redes não devem ser tratados somente com soluções estratégicas, como por exemplo, trocar as senhas do face ou do celular, e sim no comportamento do casal. “Na terapia cognitiva nós trabalhos problemas de distorção cognitiva, que são os erros de pensamento. Um dos exemplos é o fato de um dos parceiros, que gosta de privacidade, não querer que o outro olhe o celular. Isso não signif**a que ele tem algo a esconder. Este é um erro de pensamento. Ele apenas pode gostar de privacidade. É preciso observar se há outros motivos para desconfiança e não colocar o foco no celular”.
Larissa destaca que outro problema ocorre quando um dos parceiros cria preocupações não reais. Isso é bastante comum na troca de mensagens entre homens e mulheres, por exemplo. “São as chamadas preocupações em cadeia, em que a pessoa cogita situações, sempre colocando o ‘se’ em foco. Por exemplo, se ele está fazendo isso ou aquilo, se ele curtiu a foto é porque quer algo. Isso é um claro reflexo da insegurança. É preciso identif**ar o que é real e o que não é”.
Para excluir situações como esta e melhorar o relacionamento, afirma ela, é
fundamental
ter uma boa
comunicação
e evitar
expectativas
excessivas no
outro. “Os
casais
precisam
conversar.
Descrever e
dizer como se
sentem em
relação a
determinada
situação, qual
a necessidade
que tem e fazer o pedido do que quer. Por exemplo, se o fato do parceiro receber uma mensagem no whatts, rir e não compartilhar te incomoda, fale para ele sobre isso. Que essa situação te incomoda, que você não se sente bem, e que ele pode ver as mensagens em outro momento se não quer compartilhar”.
Para a produtora Daiani Martinelli, 27, e o jornalista Christian Guimarães, 29, o uso tanto das redes quanto do celular não é problema. Até mesmo quando estão juntos e um acaba dormindo. E olha que Daiani admite que é ciumenta. “Eu sou ciumenta, mas ele me transmite muita confiança. Ás vezes eu durmo e ele f**a conversando com alguém por mensagens no celular. Ele só me diz que vai f**ar conversando com tal pessoa e não vejo problemas nisso. É muito natural”.
E o mesmo faz Christian quando a namorada está concentrada em algum conteúdo na rede. “Eu falo algo e ela pede para esperar um pouco. Assim que ela termina de escrever ou ler, e isso às vezes demora, conversamos. Sou tranquilo porque ela também compreende quando preciso trabalhar e tenho que f**ar conectado, ou quando estou conversando com algum amigo ou alguém da família e peço para ela esperar um pouco”.
Mas tem também aqueles momentos que o casal deixa os equipamentos de lado para curtir o momento a dois. “Se saímos para jantar ou assistir um filme, deixamos os celulares de lado”, ressalta Daiani. E nem tudo o casal compartilha nas redes. “Gostamos de postar fotos de alguns momentos, eu gosto de mandar mensagens carinhosas para ele, mas nossos planos mantemos no reservado. Já tivemos problemas com isso em relacionamentos anteriores e hoje preferimos compartilhar nossos
projetos somente com a família e amigos próximos”.
Terapeuta de casal e família Tatiana Leite ressalta que, ao manter uma boa comunicação, o casal consegue acordar alguns limites em relação ao comportamento que será adotado nas mídias sem causar conflitos. “Regras que não são combinadas acabam se tornando motivo de brigas e discussões recorrentes. Muitos casais combinam o que vão publicar, que momentos compartilhar, se vão ou não postar fotos sozinhos, vídeos do casal, mensagens que irão postar no perfil do parceiro”.
Foi o que fizeram Rauana Caroline Andrade e Paulo Cesar para evitar situações desagradáveis. Com ousam as redes o dia todo, tanto para o trabalho, diversão e até mesmo para se
Pesquisa da Universidade do Missouri concluiu que pessoas que navegam por mais de uma hora na rede social têm relações mais turbulentas
A psicóloga Larissa Zimermann diz que o problema não está no uso das redes sociais, e sim em comportamentos como ciúme excessivo, insegurança e controle demasiado
comunicarem, buscam manter um diálogo aberto sobre o uso das redes. “Sempre conversamos sobre quem temos como amigos nas redes. Aceitamos pedidos de pessoas que de alguma forma fazem parte da nossas vidas, tirando aquelas que apenas conhecemos de vista”, conta Paulo.
Apesar de não compartilharem as senhas do face e do instagram, os celulares são liberados. Para Rauana, esta liberdade é reflexo da confiança. Paulo diz que não se incomoda com o fato da esposa olhar o celular, e até pede que ela
responda as mensagens para ele. “Estou naquela fase da vida que tudo o que mais quero é a paz. Então não dou motivos para minha esposa f**ar com ciúmes ou coisa parecida”.
Para ambos, confiança é a palavra chave e evita, segundo a psicóloga Tatiana Leite, que as redes sejam usadas como ferramentas de rastreamento. “A ferramenta não deve ser usada como uma garantia de fidelidade no relacionamento. Se for utilizada como uma forma de rastreamento, pode ser prejudicial à própria pessoa que acredita estar controlando o outro, potencializando sentimento de insegurança e baixa estima. Como em todas as relações, a confiança, o diálogo e, principalmente, o amor entre o casal têm que ser preservados”.