08/11/2024
Cuidados Integrais em Saúde
Percebe-se, pois, que demandar cuidado revela, em princípio, uma vulnerabilidade ou carência que, todavia, pode não ser a revelada: a doença. O que o sujeito quer não é exatamente ser cuidado da sua doença através de remédios, exames ou cirurgias, mas antes, ser olhado, tocado, escutado (Campos, 2005, p. 38).
Quando se fala em cuidado em saúde numa perspectiva integral, remete-se a uma nova modalidade de relacionamento, dentro das equipes de saúde e em relação ao sujeito adoecido, que vai muito além do simples ato de prescrever. Denota o encontro, a produção de afeto; e a atenção clínica não será eficaz se não forem consideradas as repercussões afetivas na experiência do adoecimento e as demandas emocionais do paciente. Eugênio Paes Campos, em seu livro Quem Cuida do Cuidador (2005), traz uma rica colaboração neste sentido, pois propõe a abordagem do paciente como um todo, na qual os aspectos relacionados à sua história pessoal, seus hábitos, sua forma de tratar a doença e a estruturação de seus sintomas devem ser levados em conta e compreendidos pelo profissional de saúde. Este profissional, nesta proposta, age como “cuidador” e não “prescrevedor”. Neste sentido, partindo de uma postura diferenciada dos profissionais de saúde, o ambiente que irá receber o sujeito adoecido deverá ser acolhedor, com intuito de oferecer apoio e suporte integrais, propiciando ao paciente um sentimento de proteção, que incidirá na redução do estresse e no aumento do bem-estar psicológico.
Na relação de assistência em saúde, o paciente espera pelo alívio e cura de suas queixas, ao passo que o profissional busca o reconhecimento de seus esforços e a eficácia de seu tratamento (Balint, 2005). Porém, a relação de cuidado vai muito além do simples ato de medicar. Leonardo Boff, em seu livro Saber Cuidar (2008), ratifica que o grande desafio para o ser humano é combinar trabalho com cuidado, na medida em que cuidar implica ter intimidade, sentir, acolher, respeitar, dar sossego e repouso. Cuidar é entrar em sintonia com, é auscultar o ritmo e afinar- se com ele. Ele preconiza que “saber cuidar” trata de um modo de ser-no-mundo, em que a forma de cuidado permite ao ser humano a vivência fundamental do valor, ou seja, daquilo que realmente tem importância e definitivamente conta. Assim, a partir deste valor substantivo, emerge a dimensão de alteridade, de respeito, de sacralidade, de reciprocidade e de complementaridade.