24/07/2026
Quando a mãe finalmente passou a ser vista?
Durante muito tempo, a saúde mental no puerpério era discutida principalmente a partir de uma pergunta:
"Como o sofrimento da mãe pode afetar o bebê?"
Essa preocupação é legítima. Sabemos que os primeiros vínculos são fundamentais para o desenvolvimento infantil.
Mas algo importante mudou.
Hoje, cada vez mais, a psicologia e a psicanálise têm ampliado o olhar para reconhecer que a mulher não precisa ser cuidada apenas porque é mãe de alguém. Ela merece cuidado porque é um sujeito.
A maternidade mobiliza perdas, transformações, lutos, expectativas e mudanças profundas na identidade. A mulher que existia antes da gestação continua existindo, mesmo quando todas as atenções parecem se voltar para o bebê.
Autores como Freud, ao pensar o luto e o narcisismo, Maria Rita Kehl, Christian Dunker e Juan-David Nasio, ao refletirem sobre a depressão e a subjetividade, nos ajudam a compreender que o sofrimento psíquico não pode ser reduzido a um conjunto de sintomas ou apenas aos seus efeitos sobre quem está ao redor.
Na clínica perinatal, isso significa perguntar também:
Como está essa mulher? O que ela perdeu? O que ela sonhou? O que ela precisou deixar para trás? Quem está cuidando dela?
Cuidar da saúde mental materna não é importante apenas para o bebê.
É importante porque existe uma mulher ali, vivendo uma das maiores transformações da vida.✨️