10/05/2026
Existe algo que incomoda muitas pessoas quando escutam a psicanálise falar sobre mães.
Como se ela apontasse dedos.
Como se dissesse: “a culpa é da mãe”.
Mas talvez o que a psicanálise faça seja justamente o contrário.
Talvez ela seja uma das poucas formas de olhar para uma mãe sem transformá-la em santa.
Porque mães cansam.
Mães falham.
Mães se ausentam às vezes, mesmo estando presentes.
Mães também sentem raiva, medo, solidão, desejo de desaparecer por alguns minutos e depois culpa por terem desejado isso.
E durante muito tempo quase ninguém permitiu que elas fossem humanas.
A psicanálise não retira o amor da maternidade.
Ela retira a obrigação da perfeição.
E talvez exista algo profundamente acolhedor nisso:
poder olhar para uma mãe não como um ideal inalcançável,
mas como alguém que também precisou existir entre faltas, excessos, tentativas e amor.