24/12/2025
Cozinhar com minha mãe é viver um tempo que não cabe no relógio.
É um gesto cotidiano, onde o afeto nem sempre é dito, mas quase sempre está presente.
Entre panelas, receitas que não seguem medidas e silêncios que já disseram muito, seguimos costurando uma relação que muda com o tempo.
Não nos entendemos sempre, não nos parecemos sempre, nem sempre caminhamos no mesmo ritmo. Ainda assim, quando dividimos a cozinha, há algo mais profundo: a presença do cuidado, do jeito que cada uma aprendeu a oferecer.
A comida, nesse espaço, vira linguagem de amor possível. Não perfeita, não idealizada, mas viva. Ela guarda histórias, supera diferenças e cria memórias que sustentam. Alimenta o corpo, mas também a relação, o pertencimento, o reconhecimento de onde viemos.
Saúde integral também nasce assim: quando há espaço para presença, para vínculo, para aquilo que nos conecta apesar das distâncias. Quando a mesa vira encontro e a comida deixa de ser cobrança para voltar a ser gesto.
Que possamos seguir nutrindo não só o corpo, mas as relações que nos formaram.
Mesmo quando imperfeitas. Mesmo quando complexas. Mesmo assim.