17/05/2026
Hoje, no almoço de Dia das Mães atrasado, eu descobri uma coisa sobre mim que parecia pequena… mas explicou anos de comportamento sem eu perceber.
Perguntei para minha mãe de onde vinha meu amor quase emocional por chocolate. E ela respondeu algo simples:
“Seu pai comprava.”
Na hora, uma cena inteira da infância apareceu dentro de mim.
Meu pai ficava bravo comigo às vezes. Brigava. Se irritava. Mas depois vinha com chocolate. Sem conversa profunda. Sem um “me desculpa”. O pedido de perdão vinha embrulhado numa embalagem da Lacta, da Nestlé, de qualquer coisa doce que dissesse no silêncio:
“Eu te amo ainda.”
E olha como a mente é impressionante…
Uma criança não entende compensação emocional. Ela cria associação.
O cérebro pega emoção + repetição e transforma em verdade interna.
Então, sem perceber, talvez eu tenha aprendido:
chocolate é carinho.
Chocolate é reconciliação.
Chocolate é alívio.
Chocolate é amor voltando depois da dor.
E quantas vezes na vida adulta a gente continua repetindo associações emocionais antigas sem nem perceber?
Tem mulher que aprendeu que amor vem junto com ausência.
Outras aprenderam que precisam performar para merecer afeto.
Tem gente que aprendeu que presente substitui presença.
Que comida acalma rejeição.
Que compra recompensa cansaço.
Que silêncio evita abandono.
A infância vai criando pequenos códigos invisíveis dentro da gente.
E o mais curioso é que, anos depois, a mulher adulta acha que está apenas “com vontade de chocolate”, quando na verdade talvez esteja tentando sentir acolhimento, segurança, recompensa… ou amor.
Hoje eu não saí daquele almoço pensando sobre doce.
Saí pensando como a nossa história continua vivendo nos detalhes mais comuns da vida. 🍫