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Existe uma mudança física real na articulação depois da manipulação vertebral. Isso não é opinião, nem efeito placebo. U...
28/08/2026

Existe uma mudança física real na articulação depois da manipulação vertebral. Isso não é opinião, nem efeito placebo. Um estudo publicado no Journal of Manipulative and Physiological Therapeutics mediu, por ressonância magnética, um aumento médio de 0,89mm no espaço da articulação facetária após o tratamento, com variação de APROXIMADAMENTE 0,71mm entre os pacientes (Cramer et al., 2013).

O dado é sólido. A forma como ele costuma ser usado, não.

Esse gapping é um evento agudo, medido dentro do próprio período de tratamento. O estudo não mostra, e nem tenta mostrar, que essa separação se mantém de forma permanente, nem que representa um realinhamento definitivo da coluna. Separação articular momentânea e melhora clínica sustentada são coisas diferentes.

Isso não desqualif**a a manipulação. Pelo contrário. Ela faz algo mecânico real, mensurável, documentado. O ponto é entender o que esse efeito realmente é: uma janela, não uma solução fechada em si mesma. O que sustenta o resultado no tempo é o que se constrói depois dela.

Passo a passo do que a ciência mostra, no carrossel.

24/08/2026

Ensinar o paciente a administrar a própria condição faz toda a diferença no resultado do tratamento.

O fisioterapeuta não deve ser apenas aquele que “trata” o paciente durante a sessão.

Parte fundamental do processo é desenvolver autonomia: compreender a condição, reconhecer os fatores que influenciam os sintomas, saber como se movimentar e, principalmente, aprender o que fazer diante das oscilações do quadro.

Quando o paciente depende exclusivamente da intervenção do profissional, o tratamento f**a limitado ao tempo da consulta e a dependência terapêutica.

Quando ele entende e participa ativamente do processo, o tratamento ultrapassa a clínica.

Não se trata apenas de tratar o paciente.
Trata-se de ensiná-lo a administrar a própria condição.

E isso muda completamente o prognóstico.

628,8 milhões de pessoas convivem com dor lombar no mundo (Ferreira ML et al., 2023, Lancet Rheumatology). Se o critério...
19/08/2026

628,8 milhões de pessoas convivem com dor lombar no mundo (Ferreira ML et al., 2023, Lancet Rheumatology). Se o critério fosse apenas “quantas pessoas”, ela nem estaria entre as condições mais expressivas.

Mas existe uma métrica que mede outra coisa: quanto tempo de vida funcional uma condição consome. Chama-se YLD, anos vividos com incapacidade. E é aqui que o quadro muda.

Em YLD, a dor lombar assume a liderança isolada entre as condições mais estudadas globalmente: APROXIMADAMENTE 70,2 milhões de anos, à frente de depressão, anemia e cefaleias (GBD 2021 Diseases and Injuries Collaborators, 2024, The Lancet).

A diferença entre essas duas métricas não é estatística, é conceitual. Prevalência mede alcance. YLD mede o que a condição realmente rouba de quem vive com ela: função, tempo, capacidade.

Isso muda completamente como uma condição deveria ser tratada, e por quem.

Salve esse post se você trabalha com isso e precisa desse dado na próxima conversa com um paciente ou colega.

17/08/2026

A estratégia de tratamento correta faz diferença no prognóstico.

Em condições musculoesqueléticas, especialmente nos quadros de dor persistente e alterações da coluna, não basta identif**ar onde dói. É necessário compreender quais mecanismos estão envolvidos, quais fatores estão contribuindo para a manutenção do quadro e qual abordagem é adequada para aquele momento clínico.

As intervenções passivas podem ter seu papel. Técnicas manuais, mobilizações, terapia de tecidos, tração e outras estratégias podem ser utilizadas para modular sintomas, melhorar a tolerância ao movimento e criar condições para que o paciente avance no tratamento.

Mas existe um ponto importante: a intervenção passiva não deve necessariamente representar o tratamento inteiro.

À medida que o paciente apresenta capacidade para se movimentar, carregar, controlar e retornar progressivamente às suas atividades, estratégias ativas passam a assumir maior importância. Exercício terapêutico, exposição gradual ao movimento, treinamento de força, educação e desenvolvimento da autoconfiança funcional podem contribuir para que o paciente deixe de depender exclusivamente de uma intervenção externa.

Isso não signif**a que abordagens passivas sejam inadequadas ou que todo tratamento precise ser exclusivamente ativo. O problema está em utilizar uma estratégia sem considerar o estágio clínico, a resposta individual e os objetivos funcionais do paciente.

O prognóstico não depende apenas da técnica escolhida.

Depende da adequação da estratégia ao quadro clínico, da progressão das cargas, da resposta ao tratamento e da capacidade de conduzir o paciente de uma condição de maior dependência para uma participação cada vez mais ativa no próprio processo de recuperação.

Por isso, tratar melhor não signif**a simplesmente fazer mais.

Signif**a saber quando utilizar cada recurso, por que utilizá-lo e, principalmente, quando modif**ar a estratégia.

Existem três formas distintas pelas quais o sistema nervoso gera dor. Elas não se parecem, não respondem aos mesmos estí...
11/08/2026

Existem três formas distintas pelas quais o sistema nervoso gera dor. Elas não se parecem, não respondem aos mesmos estímulos e não melhoram com as mesmas intervenções.

A dor nociceptiva tem origem em tecido lesado. É proporcional ao estímulo, tem comportamento mecânico claro e responde bem a intervenções locais. É a dor que você consegue explicar.

A dor neuropática vem do próprio nervo. Queimação, choque, formigamento, dormência que seguem um trajeto definido no corpo. Ela pode aparecer sem nenhum estímulo externo, e um toque leve pode ser percebido como dor intensa.

A dor nociplástica é a mais complexa e a mais subestimada. Não há lesão identificável no exame. O que ocorre é uma alteração no processamento central: o sistema nervoso amplif**a sinais normais como se fossem ameaças. A dor é difusa, imprevisível, piora com estresse e não responde aos analgésicos convencionais.

Na maioria dos casos clínicos, esses mecanismos se sobrepõem. Uma hérnia de disco, por exemplo, pode envolver simultaneamente um componente nociceptivo, um neuropático por compressão radicular e um nociplástico em casos de longa evolução.

Identif**ar qual fenótipo predomina não é um detalhe técnico. É o que orienta cada decisão terapêutica: qual técnica aplicar, em qual momento, com qual objetivo.

01/08/2026

Existe uma diferença enorme entre estudar uma área e se vender como especialista nela.
Hoje, a palavra especialista virou um recurso de marketing. Está na bio, no anúncio, na fachada da clínica e no discurso. Mas existe um detalhe que muita gente esquece: essa palavra não vende apenas um serviço.
Ela vende uma promessa.
A promessa de que aquele profissional domina profundamente o problema que está tratando. De que possui raciocínio clínico, capacidade para interpretar casos complexos e conduzir o paciente com segurança.
E é exatamente aí que mora o problema.
Quando alguém se apresenta como especialista sem conseguir sustentar essa responsabilidade, o prejuízo vai muito além de um atendimento ruim.
Uma condução inadequada pode prolongar um quadro que poderia evoluir melhor, reforçar crenças equivocadas sobre o corpo, gerar medo do movimento, dependência terapêutica e, em alguns casos, contribuir para prejuízos funcionais que poderiam ser evitados.
O paciente não procura um especialista porque a clínica é bonita, porque o Instagram tem milhares de seguidores ou porque o profissional fala difícil.
Ele procura porque está com dor. Porque está preocupado. Porque confia que aquela pessoa sabe conduzir o seu caso.

E essa confiança exige responsabilidade.

Aplicar técnicas isoladas sem um raciocínio clínico consistente não é tratamento especializado. Utilizar equipamentos sem um propósito claro não é tratamento especializado. Decorar explicações complexas também não transforma ninguém em especialista.

Especialidade não é uma palavra para valorizar honorários.
É uma responsabilidade que precisa ser sustentada por conhecimento, experiência clínica, estudo contínuo e, principalmente, pela capacidade de reconhecer os próprios limites.

Tratar a hérnia de disco olhando apenas para o laudo da ressonância é um erro que a gente vê acontecer o tempo todo, voc...
30/07/2026

Tratar a hérnia de disco olhando apenas para o laudo da ressonância é um erro que a gente vê acontecer o tempo todo, você já parou para pensar nisso?

Afinal, você sabia que boa parte das pessoas que não sentem dor alguma ainda assim apresentam alterações discais quando fazem exames de imagem?

O achado anatômico está lá, mas a dor só dá as caras de verdade quando existe uma compressão neural real envolvida no quadro.

Por isso que eu sempre digo: o plano de cuidado não pode ser isolado. A gente precisa avaliar de forma muito mais ampla e integrada:

* O seu Sistema Nervoso: para entender como ele está modulando e sensibilizando a dor.

* O seu Padrão Motor: identif**ando cada compensação e como você está se movimentando.

* Fatores Psicossociais: porque suas crenças sobre a dor e o seu dia a dia importam demais.

* A Estrutura Discal: claro que sim, mas sempre conectada a todo o seu sistema.

No fim das contas, a hérnia é só o ponto de partida. O verdadeiro destino do tratamento é você.

Já parou para refletir sobre como tem sido abordada a sua recuperação? Me conta aqui nos comentários o que você acha disso!

25/07/2026

Por que a retomada da função é essencial no tratamento da coluna

Neste vídeo, eu explico que não é só a dor em si que limita a vida, mas sim a perda de função e capacidade de realizar atividades cotidianas. Destacando a importância de retomar a função no tratamento da coluna, controlando os mecanismos mecânicos da dor e que a abordagem deve ser dinâmica e complementar, não dependendo apenas de técnicas passivas como manipulação ou massagem.

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