13/04/2026
A terapia é importante.
Ela pode ser um espaço de escuta, elaboração e cuidado diante daquilo que se vive.
Mas eu acho importante fazer uma pergunta:
o que acontece quando o sofrimento passa a ser tratado apenas como algo individual, quase como se bastasse encontrar a técnica certa, a resposta certa ou o serviço certo para “resolver” tudo?
E mais do que isso:
o que acontece quando a própria terapia começa a ser atravessada por uma lógica de mercado, em que o sofrimento aparece quase como um problema a ser eliminado rapidamente, com eficiência, desempenho e resultado?
Nesse movimento, corre-se o risco de transformar a terapia em mais um produto a ser consumido e o cuidado em mais uma promessa de solução.
Como se escutar a dor pudesse ser reduzido a algo rápido, objetivo e imediatamente resolutivo.
Mas nem tudo o que dói nasce só no indivíduo.
Muitos sofrimentos também são produzidos e atravessados pelo social: pelas desigualdades, pelas violências, pelas exigências de desempenho, pela sobrecarga, pelos lugares que tantas mulheres são levadas a ocupar e sustentar.
Isso não diminui a importância da terapia.
Pelo contrário.
Talvez reforce a necessidade de uma escuta que não reduza tudo a um problema pessoal, nem transforme o sofrimento em algo a ser corrigido rapidamente.
Terapia não é solução mágica.
Não apaga contradições da vida, nem elimina de forma imediata aquilo que nos atravessa.
Mas pode ser um espaço potente para nomear, pensar, elaborar e construir caminhos possíveis diante do sofrimento.
Talvez cuidar de si também passe por sustentar uma escuta que não se renda à pressa, nem à ideia de que tudo precisa virar performance, produtividade ou resultado.