04/06/2026
Bom dia.
Experienciar uma escuta ativa é importante.
Ouvir é diferente de escutar.
Na dúvida perguntem: Deixa-me ver se entendi? Você disse .....?
E escute para entender e não para contestar.
Eu estou ainda aprendendo e atenta a isso!
E você?
“Sobre o ouvir.
O ato de ouvir exige humildade de quem ouve.
E a humildade está nisso: saber, não com a cabeça mas com o coração, que é possível que o outro veja mundos que nós não vemos.
Mas isso, admitir que o outro vê coisas que nós não vemos, implica reconhecer que somos meio cegos… Vemos pouco, vemos torto, vemos errado.
Bernardo Soares diz que aquilo que vemos é aquilo que somos.
Assim, para sair do círculo fechado de nós mesmos, em que só vemos nosso próprio rosto refletido nas coisas, é preciso que nos coloquemos fora de nós mesmos.
Não somos o umbigo do mundo.
E isso é muito difícil: reconhecer que não somos o umbigo do mundo! Para se ouvir de verdade, isso é, para nos colocarmos dentro do mundo do outro, é preciso colocar entre parêntesis, ainda que provisoriamente, as nossas opiniões.
Minhas opiniões!
É claro que eu acredito que as minhas opiniões são a expressão da verdade.
Se eu não acreditasse na verdade daquilo que penso, trocaria meus pensamentos por outros.
E se falo é para fazer com que aquele que me ouve acredite em mim, troque os seus pensamentos pelos meus.
É norma de boa educação ficar em silêncio enquanto o outro fala.
Mas esse silêncio não é verdadeiro. É apenas um tempo de espera: estou esperando que ele termine de falar para que eu, então, diga a verdade.
A prova disto está no seguinte: se levo a sério o que o outro está dizendo, que é diferente do que penso, depois de terminada a sua fala eu ficaria em silêncio, para ruminar aquilo que ele disse, que me é estranho.
Mas isso jamais acontece.
A resposta vem sempre rápida e imediata.
A resposta rápida quer dizer: “Não preciso ouvi-lo.
Basta que eu me ouça a mim mesmo.
Não vou perder tempo ruminando o que você disse.
Aquilo que você disse não é o que eu diria, portanto está errado…”.
– Rubem Alves, no livro “Ostra feliz não faz pérola”. Editora Planeta, 2008.