12/06/2026
"Em 2018, durante uma conferência sobre cannabis e cânhamo em Vancouver, vi oito pessoas subirem ao palco para contar suas histórias com cannabis e câncer. Entre elas, uma criança de cinco anos e um senhor de 90. Eram pessoas que, em algum momento, tinham sido empurradas para o limite da medicina convencional e estavam ali, vivas, diante de uma plateia inteira, narrando não uma promessa milagrosa, mas uma experiência concreta de cuidado, alívio e esperança.
Saí daquela conferência atravessada. Liguei para os meus pais e disse que estava feliz porque talvez eu não precisasse vê-los sofrer sem acesso a uma ferramenta que já ajudava tantas famílias. Naquele dia, tive certeza de que queria trabalhar para espalhar um conhecimento que segue sendo negado à maior parte da sociedade. Eu só não sabia que, 8 anos depois, essa história voltaria para dentro da minha própria casa. Mas, antes de voltar para minha casa, essa história já era um problema coletivo.
A proibição da cannabis produz efeitos colaterais muito mais amplos e cruéis do que se costuma imaginar. Um deles é a falta de acesso à informação. Outro, ainda mais silencioso, são as décadas de ciência interrompida, pesquisa atrasada e cuidado negado a centenas de milhares de pessoas que poderiam ter se beneficiado da planta em algum momento da vida.
Vivemos uma onda global de legalização. Dezenas de países já permitem algum tipo de uso medicinal da cannabis, mas esse é apenas o 1º passo. Legalizar o acesso não significa, automaticamente, transformar conhecimento científico em prática clínica, formação profissional, política pública e cuidado real para a população.
Hoje, nenhum profissional de saúde comprometido com evidências sérias deveria negar que a cannabis pode ajudar pacientes durante o tratamento do câncer. Ainda assim, seu uso na oncologia segue longe de fazer parte dos protocolos oficiais de cuidado. Entre o que a ciência já reconhece, o que os pacientes relatam e o que o sistema de saúde incorpora, existe um abismo. E o que sobra é insegurança, abandono e descaso com quem está sofrendo em uma situação delicada..."
Link pro artigo completo da Luna Vargas para o Brasil de Fato | BdF em cannabismonitor.com.br