Dra Adelina Feitosa / Neuropediatra

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Reaprendi a rezar quando minha primeira filha nasceu.  Nos dias mais desafiadores do meu puerpério eu me vi menina repet...
03/09/2023

Reaprendi a rezar quando minha primeira filha nasceu. Nos dias mais desafiadores do meu puerpério eu me vi menina repetindo a primeira oração que minha avó paterna me ensinou de joelhos diante de um relicário com diversos santos que ficava no quarto dela. Lembro em detalhes dos móveis, do cheiro de óleo de peroba, da bagunça constante das suas gavetas com diversos cacarecos. E lembro da lição que ela me deixou de saber rezar e pedir a Deus que emanasse ao mundo externo a nossa força interior. Desde então, a hora em que coloco minhas filhas para dormir é o momento em que dialogo intimamente com Deus e a Virgem Maria. As primeiras palavras são sempre de agradecimento. “ a tudo dai graças “ Criança eu não tinha nenhum dilema a se resolver, adolescente e adulta eu frequentei igrejas para cumprir ritos. Mulher feita eu conheci de perto a sensação de não encontrar na matéria - tudo aquilo em que tocamos - a solução para meus problemas. Foi no amparo das minhas dores que eu fiz as pazes com minha espiritualidade. E não permito que nada ou ninguém diminua ou ridicularize no que acredito. E sob a proteção de Deus nosso senhor passarei às minhas filhas os valores de uma vida com propósito.

Semana passada fui convidada para abrir um evento inovador. Meu tema:  como o cérebro dos nossos filhos inauguram sua jo...
18/08/2023

Semana passada fui convidada para abrir um evento inovador. Meu tema: como o cérebro dos nossos filhos inauguram sua jornada de vida através do desenvolvimento motor. O Futuramente foi todo desenhado para discutir a importância da qualidade do estímulo que oferecemos para o desenvolvimento cerebral. Colocamos em relevância assuntos que atravessam os anos mais importantes da criança: alimentação, sono, estímulo verbal, estímulo visual, importância do ambiente natural e da família, educação e comportamento.

Foi fantástico ver tanta gente até 18:30h na plateia. Tanta gente interessada em criança e adolescente.

Tem uma coisa que eu sempre falo para os pais dos meus pacientes: exercer a parentalidade é um eterno aprender andar de bicicleta sem rodinha. A gente vai aprendendo pedalando, achando que vai cair e botando o pé no chão, mas indo.

Obrigada pelo convite, que venham os próximos. Obrigada a todos que estiveram lá, foi muito massa.

“Todas as estrelas te trariaSe coubessem em minha mãoTodo sonho nasceriaDas sementes pelo chãoPaz nenhuma faltariaNos re...
07/09/2022

“Todas as estrelas te traria
Se coubessem em minha mão
Todo sonho nasceria
Das sementes pelo chão
Paz nenhuma faltaria
Nos recantos onde
Vez em quando aperta o coração”

Alberto Caeiro, o heterônimo que mais gosto do poeta português Fernando Pessoa, nos brinda com um belíssimo poema em O G...
07/08/2022

Alberto Caeiro, o heterônimo que mais gosto do poeta português Fernando Pessoa, nos brinda com um belíssimo poema em O Guardador de Rebanhos. Nele ele nos conta que estando numa cidade muito pequena, em cima de um monte, era mais fácil ver o horizonte do que numa grande cidade.

“Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver do Universo...
Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer,
Porque eu sou do tamanho do que vejo
E não do tamanho da minha altura...”

Ver o horizonte o aproximava do seu real tamanho e riqueza, já que nas cidades ele estava apto a ver apenas o que sua altura lhe proporcionava, existia sempre algo empatando o horizonte, algo sempre tirava o que seus olhos podiam lhe dar. Na cidadezinha ele era do tamanho que via: um espaço a perder de vista. (Em 1914 não existiam os arranhas céus!)

A maternidade pra mim foi como chegar na colina da pequena aldeia de Caeiro.

Precisei sair da cidade grande, ruidosa e com suas inúmeras construções, para chegar na pequena aldeia e me ver exatamente do tamanho que sou: a me perder de vista.

01/03/2022

Minha pequena fêmea, o tempo passa apenas para me mostrar que todos os caminhos me levaram ao nosso encontro autorizado por Deus. Sem Ele, não estaríamos aqui juntas, ainda estaríamos separadas em duas dimensões que não se tocavam. Você já me ensina desde sempre. Se escondia de mim, brincalhona, a passar pelos dias, meses, anos. Enquanto te procurava me ensinou paciência. Enquanto te gerava me ensinou gratidão. Enquanto te amamentava me ensinou resiliência. Enquanto te ninava - nas incontáveis acordadas do dia e da noite - me ensinou força. Você me relembrou o que eu havia até esquecido. Você não me completou, o que foi uma grande surpresa descobrir. Eu já existia inteira antes de você. Com seus olhinhos, só me relembrou quem sou, tal qual Cora Coralina tão bem já “poetou”:

“Eu sou o caule 
dessas trepadeiras sem classe, 
nascidas na frincha das pedras: 
Bravias. 
Renitentes. 
Indomáveis. 
Cortadas. 
Maltratadas. 
Pisadas. 
E renascendo.”

O que seu filho te ensinou?

Ter um filho é parir uma maternidade. Um trabalho de parto demorado, doloroso, cheio de sustos e falsas certezas. Não im...
02/02/2022

Ter um filho é parir uma maternidade. Um trabalho de parto demorado, doloroso, cheio de sustos e falsas certezas. Não importa como nossos filhos são gerados e vem ao mundo. A maternidade nasce e se revela quando estão em nossos braços. Quando seus corpinhos pesam contra nossos corpos, quando um simples nariz entupido nos tira a paz, quando amamos e temos uma vontade imensa de devorar a própria cria e quando, mesmo diante de tanto amor, flertamos com a saudade de não termos filhos em nossas vidas. Que confuso! A maternidade vem como uma mão que nos empurra para mergulharmos nas ondas para só assim vencermos a arrebentação. Depois dos filhos, o essencial ganha contorno e relevância. Mas num mundo em que tantos supérfluos brilham e reluzem como joia rara, ainda é difícil se conectar com a urgência a qual a realidade materna nos impõe. Não é à toa o frisson imenso que a Filha Perdida, disponível no Netflix, está causando. Não é à toa que Elena Ferrante é a autora dessa obra. Não é à toa que Olívia Colman é Leda. Não é à toa que ser mãe é a materialização da moeda que carregamos para todo sempre, girando no ar mostrando suas duas faces ambivalentes. É como bem escreveu: “a maternidade é algo que atravessa a mulher de maneira inescapável. Não há refúgio, nem destino, nem caminho que uma mãe tome que pessoa remover a maternidade de sua carne.”

Endereço

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Pacajus, CE
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