26/04/2026
No pensamento apresentado em A Queda do Céu, de Davi Kopenawa, o chão não é inerte: é um elemento vivo, que participa da sustentação e da organização da vida.
No contexto da fisioterapia, o treino de marcha não se restringe à retomada do padrão de deambulação. Trata-se de um processo de reeducação funcional que envolve a reorganização da relação do indivíduo com o solo, com o alinhamento do eixo corporal, com a temporalidade do passo e com a confiança no movimento.
O corpo necessita reestruturar sua percepção por meio de mecanismos proprioceptivos, vestibulares e somatossensoriais: reconhecer a distribuição de cargas, localizar o centro de massa, ajustar respostas posturais e reações de equilíbrio frente a perturbações, minimizando o risco de quedas.
Esse processo demanda uma escuta clínica qualificada, baseada na interação entre fisioterapeuta e paciente, bem como no desenvolvimento da percepção corporal e da autorregulação por parte do paciente.
Cada passo, no treino de marcha, configura-se como uma experiência de reintegração funcional e de reconexão com o solo.
Assim, o ato de caminhar com equilíbrio deixa de ser apenas uma tarefa motora e passa a ser compreendido como uma expressão integrada entre corpo, ambiente e controle neuromotor um gesto que também implica consciência e respeito à relação com o meio.
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Fisioterapia é amor em movimento