01/09/2026
Existe um medo que aparece com frequência antes de um exame:
“E se encontrarem alguma coisa?”
É uma pergunta compreensível.
Mas ela esconde uma contradição interessante.
Se existe alguma coisa, ela não passa a existir no momento em que aparece no resultado.
O exame apenas transforma algo desconhecido em informação.
E informação, quando bem interpretada, muda nossa capacidade de agir.
Pode significar investigar melhor.
Pode permitir um diagnóstico em um momento mais favorável.
Pode levar ao início de um tratamento.
E pode também mostrar que aquela preocupação não representava uma doença grave.
Por isso, eu não acredito em fazer exames indiscriminadamente.
Mais exames não significam, necessariamente, mais saúde.
Mas também não acredito que evitar uma investigação indicada seja uma forma de proteção.
Não saber pode parecer confortável por algum tempo.
O problema é que a realidade não depende do quanto sabemos sobre ela.
O exame não cria a doença.
Mas, muitas vezes, é ele que cria a oportunidade de fazer alguma coisa a respeito.
\