11/05/2026
A maternidade não atravessa apenas mulheres que têm ou querem ter filhos. A maternidade atravessa todas as mulheres. De formas diferentes, em intensidades diferentes, mas sempre atravessa.
Atravessa quem quer ser mãe, quem não quer, quem não pode gestar, quem sente medo de ter filhos ou medo de nunca ter.
Quem pode se arrepender da escolha que fizer, seja ela qual for. Atravessa mulheres em relações heterossexuais, mulheres lésbicas, mulheres não monogâmicas, mulheres com dinâmicas familiares difíceis, mulheres atravessadas pelo trabalho, pelo corpo, pela legislação, pelo casamento, pelas imposições sociais e até pelas amizades.
A maternidade também atravessa mulheres que foram ensinadas a cuidar antes mesmo de existir como sujeito. Mulheres tentando não repetir histórias. Mulheres que carregam culpa por desejar espaço. Mulheres que ainda tentam entender o amor que receberam. Mulheres que cresceram acreditando que amar era servir, antecipar, suportar e sustentar tudo.
Por isso, falar sobre maternidade é também falar sobre o que esperam das mulheres e, consequentemente, sobre o que esperam (ou não) dos homens.
É falar sobre o direito de escolher. Sobre políticas públicas que acolham. Sobre ciência e pesquisa que não sejam construídas a partir de lógicas misóginas. Sobre a possibilidade de existir para além de um papel social imposto.
Porque nenhuma mulher deveria ser reduzida a um corpo criado para cumprir um destino que outra pessoa definiu por ela ✨