03/08/2026
Marcos Llorente é um dos atletas mais completos do futebol mundial.
Campeão, extremamente disciplinado e conhecido por cuidar da saúde como poucos, ele já declarou seguir uma dieta inspirada no padrão paleolítico e costuma defender esse estilo de vida. E é justamente aí que muita gente se confunde.
**O sucesso dele não prova que a dieta seja a melhor estratégia para o futebol.**
Esse é um erro clássico: confundir a rotina de um atleta de elite com a causa do desempenho.
Llorente é excepcional por diversos fatores: genética, anos de treinamento, qualidade do sono, preparação física, recuperação, equipe multidisciplinar e consistência. A dieta é apenas uma peça desse quebra-cabeça.
Além disso, até o momento **não existe evidência científica mostrando que a dieta paleolítica melhora o desempenho de jogadores de futebol**.
Pelo contrário.
Uma dieta paleolítica tradicional elimina alimentos como arroz, massas, pães, aveia e leguminosas. Para um atleta que precisa disputar treinos intensos e jogos frequentes, isso pode dificultar atingir a quantidade de carboidratos necessária para manter os estoques de glicogênio muscular.
E sem glicogênio suficiente, a tendência é:
• queda na intensidade dos sprints;
• pior capacidade de repetir esforços;
• recuperação mais lenta entre jogos;
• maior fadiga ao longo da temporada.
Isso significa que a Paleo é ruim? Não.
Ela incentiva o consumo de alimentos naturais, frutas, verduras, carnes e peixes, princípios que fazem sentido para qualquer pessoa.
Mas, para o futebol de alto rendimento, **a ciência favorece uma estratégia que periodiza os carboidratos conforme a carga de treino**, e não uma exclusão rígida desses alimentos.
Nem tudo o que funciona para um atleta específico deve ser generalizado.
No esporte de alto rendimento, decisões nutricionais devem ser guiadas por evidências, não por exceções.
Você seguiria a dieta de um atleta só porque ele é campeão?