10/01/2025
Mês passado, li o livro "Ainda Estou Aqui", e, mais do que um relato sobre o desaparecimento de Rubens Paiva e da vida durante a ditadura, o livro traz, de forma nua, crua e, ao mesmo tempo, bastante emotiva, o relato de como foi a convivência com Eunice Paiva após o diagnóstico de Alzheimer. As mudanças de comportamento, de interação com o mundo ao seu redor e, principalmente, com as pessoas ao seu redor: amigos, família, filhos, netos…
A cada página desses relatos, foi impossível não lembrar, a todo momento, da minha avó.
Graças a Deus, pude viver grande parte da vida desfrutando a delícia que é ter avós presentes, saudáveis, ativos. Apenas recentemente presenciei as crescentes limitações na autonomia, limitações físicas e as oscilações de presença e memória, que chegaram pouco a pouco na vida da senhora.
Junto de todas essas mudanças, veio a pandemia, a necessidade de f**armos afastadas para protegê-la, a restrição na convivência. Com todas essas mudanças, a senhora também se mudou de casa. Na correria do dia a dia, não consigo deixar de pensar que houve menos visitas do que eu gostaria e muito menos do que a senhora merecia.
Agora você se foi, e o que f**a mesmo é a saudade e a lembrança de todos os momentos maravilhosos em que a senhora esteve por perto.
96 anos muito bem vividos, de uma senhora de personalidade forte, divertida, que sempre falou o que pensava e nunca levou desaforo para casa. 96 anos de pastelzinho, quindim, hambúrguer frito, caipirinhas e copão de café com leite na hora de dormir.
Agora, vai f**ar feliz e em paz ao lado do vovô. 🤍