29/06/2026
Dizem que o luto tem fases, mas ninguém avisa que ele tem horas. Não as do relógio. Essas me confundem.
Pela manhã, a memória me trai e, por um instante, só um instante, o mundo ainda tem você nele. É de tardezinha, quando a luz f**a daquele jeito que só existia para ser comentado com alguém, mando a foto mas minha mãe não a vê.
O “nunca mais” não chega de uma vez. Ele aparece todos os dias, como um credor que não cansa. Nunca mais aquele telefone vai tocar com seu nome na tela. Nunca mais vou ouvir você dizer meu nome do jeito que só você dizia. Nunca mais terei você só por estar ali, sempre ouvidos, meu colo, meu conforto.
Dizem que o tempo cura. Eu acho que o tempo só ensina a carregar de outro jeito. A dor não vai embora, ela muda de lugar dentro de mim, encontra um canto mais discreto para morar, e ali f**a, mansa às vezes, feroz em outras, principalmente no anoitecer. Tento imaginar seu sorriso, sua paz, um lugar onde já não existe dor, só você recebendo lambidas dos nossos amados cães.
Talvez o luto não seja esquecer a dor de não te ter mais por aqui, talvez seja aprender a viver apesar disso. Me reconheço nos seus traços, na sua voz, espero a sua força e a coragem de prosseguir.
Saudade, mãe.
Para sempre, e ainda assim, todos os dias de novo.
Até outro dia. 😓