24/05/2026
URGENTE! Nossas crianças e adolescentes agradecem.
Todos os dias eu escuto adolescentes em sofrimento emocional. Alguns falam chorando. Outros falam rindo para esconder a dor. Muitos parecem “fortes”, mas carregam dentro deles uma sensação constante de insuficiência. E existe uma frase que aparece repetidamente nas sessões, nas escolas, nos corredores e até nas conversas mais simples:
“Os meus pais sempre me comparam.”
Comparações entre irmãos, colegas, primos, filhos dos vizinhos ou jovens das redes sociais estão a destruir silenciosamente a autoestima de muitas crianças e adolescentes em Cabo Verde.
“Olha o filho da fulana.”
“Teu irmão na tua idade já fazia isso.”
“Fulano é mais inteligente.”
“Tu nunca és como os outros.”
Muitos pais acreditam que isso motiva. Mas a ciência psicológica mostra exatamente o contrário.
A comparação constante ativa sentimentos de rejeição, inadequação e desvalorização. O cérebro da criança e do adolescente ainda está em desenvolvimento emocional. Quando ela cresce ouvindo que nunca é suficiente, começa a acreditar nisso. E uma criança que acredita que nunca é suficiente pode crescer insegura, ansiosa, agressiva, dependente de aprovação ou emocionalmente distante.
Nem toda criança vai ter as mesmas habilidades.
Nem todo adolescente vai aprender no mesmo ritmo.
Nem todos vão se expressar da mesma forma.
E isso não significa fracasso.
Isso significa individualidade humana.
Há adolescentes que hoje parecem “desinteressados”, mas na verdade estão emocionalmente cansados de tentar agradar pessoas que nunca reconhecem seus esforços. Há crianças que começam a perder a alegria de aprender porque sentem que serão sempre comparadas e diminuídas.
Precisamos entender uma coisa com urgência:
comparar não educa.
Comparar humilha.
Comparar afasta.
Comparar cria feridas emocionais profundas.
Muitos adultos em Cabo Verde ainda carregam dores da infância porque passaram anos ouvindo que não eram bons o suficiente. Hoje sofrem com baixa autoestima, medo de falhar, necessidade extrema de aprovação, dificuldade de expressar emoções e sensação constante de incapacidade.
E tudo isso começou com pequenas frases repetidas diariamente dentro de casa.
Pais e encarregados de educação:
seu filho não precisa ser igual ao outro para ter valor.
Seu filho precisa sentir que é visto, ouvido, respeitado e amado na sua individualidade.
A saúde mental das nossas crianças e adolescentes também depende da forma como falamos com eles.
Elogie o esforço.
Corrija sem humilhar.
Oriente sem comparar.
Escute mais.
Acolha mais.
Observe mais.
Porque às vezes o adolescente que parece “rebelde” é apenas um adolescente emocionalmente ferido tentando sobreviver à pressão de nunca se sentir suficiente.
Como psicólogo de crianças e adolescentes, faço este apelo com responsabilidade, humanidade e urgência:
vamos parar de criar crianças que crescem acreditando que só terão valor se forem iguais aos outros.
Cada criança merece crescer sentindo que pode ser ela mesma sem medo de perder amor, aceitação ou pertencimento.
A saúde mental das crianças e adolescentes começa dentro de casa.
Se precisar de orientação parental para ajudar o seu filho criança ou adolescente a desenvolver emocionalmente saudável peça. Fale. Não espere tarde demais.
Partilhe com mais pais e encarregados de educação. Vamos prevenir danos no futuro. Nossas crianças e adolescentes agradecem.