28/06/2026
Hoje quero falar sobre um assunto muito importante, motivado por uma chamada que recebi de uma pessoa conhecida. O seu familiar está internado há quase uma semana e, até hoje, a família não sabe exatamente o que ele tem, qual é o plano de tratamento nem quais são as expectativas da sua evolução.
Infelizmente, esta não é uma situação isolada.
Durante muitos anos, a medicina foi baseada num modelo paternalista, em que o médico decidia tudo e o doente apenas seguia as orientações. Mas a medicina moderna evoluiu.
Hoje, o doente e, quando necessário, o seu cuidador ou familiar, fazem parte da equipa de cuidados e devem participar na tomada de decisões sobre o tratamento, sempre que isso seja possível.
Em Moçambique, onde frequentemente enfrentamos limitações de medicamentos, exames e outros recursos, é ainda mais importante que a família esteja informada. Quando os familiares compreendem o que está a acontecer, conseguem colaborar melhor com a equipa de saúde, participar nas decisões quando necessário e evitar especulações ou mal-entendidos.
Por isso, quero deixar três recomendações muito simples para todas as famílias que têm um ente querido internado.
**Primeiro:** saiba o nome do médico responsável pelo seu familiar. Conhecer quem acompanha o doente facilita a comunicação e permite esclarecer dúvidas com a pessoa certa.
**Segundo:** pergunte qual é o diagnóstico. Se ainda não houver um diagnóstico definitivo, peça que lhe expliquem quais são as hipóteses em investigação e quais exames estão a ser realizados para chegar ao diagnóstico.
**Terceiro:** solicite informações sobre o prognóstico e o plano terapêutico. Pergunte qual é o tratamento que está a ser feito, quais são os objetivos desse tratamento, quais melhorias são esperadas e quais poderão ser os próximos passos.
Essas informações fazem parte dos direitos do paciente e dos seus familiares, sempre respeitando a vontade e a privacidade do doente.
Lembre-se: fazer perguntas com educação não significa desconfiar da equipa médica. Pelo contrário, demonstra interesse, fortalece a relação de confiança e contribui para um cuidado mais seguro e mais humano.
Uma família bem informada é uma família que apoia melhor o seu doente, compreende as dificuldades do tratamento e ajuda a evitar rumores e desinformação.