07/10/2026
Estou de férias.
Num lugar bonito, entre o mar e a lagoa, a observar ondas, flamingos, natureza e simplesmente… a estar.
E dei por mim a pensar como, mesmo quando fazemos aquilo que gostamos, continuamos a precisar de parar.
De mudar de ares.
De sair, nem que seja por uns dias, dos mesmos espaços, dos mesmos estímulos, das mesmas exigências.
Mas há uma coisa:
o que é que acontece dentro de nós quando finalmente não temos nada para fazer?
Conseguimos desfrutar?
Ou começamos logo a pensar no que devíamos estar a fazer?
Sentimo-nos merecedores de descansar?
Ou aparece uma espécie de culpa, como se tivéssemos de justif**ar o nosso tempo, aproveitá-lo, rentabilizá-lo?
Porque, para algumas pessoas, estar sem fazer nada pode ser muito mais desafiante do que parece.
E talvez porque, lá no fundo, ainda confundimos o nosso valor com aquilo que fazemos.
As férias podem ser um convite para descansar o corpo.
Mas também podem ser um convite para observar a nossa relação com o merecimento, o controlo, a produtividade e o simplesmente estar.
Então deixo esta pergunta:
Consegues estar de férias sem sentires que tens de fazer alguma coisa para merecer estar ali?
E, se não conseguires…
o que precisas de trabalhar e limpar em ti para poderes, finalmente, desfrutar plenamente do teu descanso?