Pediatra João

Pediatra João Pediatra, Neonatologista, pai de 3
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30/08/2026

Ter um bebé já implica comprar muita coisa. Mas há outras que se tornaram quase obrigatórias nos enxovais… sem serem realmente necessárias.

Estas são 5 delas 👇

1. Esterilizadores
Pode haver situações em que seja necessário esterilizar determinado material, mas isso não significa que seja preciso comprar um aparelho “xpto” específico para o fazer. Um esterilizador é uma forma de esterilizar, existem várias, não uma necessidade do enxoval.

2. Máquina de ruído branco
O ruído branco pode ajudar alguns bebés a acalmar ou a adormecer, mas não é necessário para um bebé aprender ou conseguir dormir. E não é completamente inócuo se for mal utilizado: alguns aparelhos conseguem produzir intensidades sonoras muito elevadas quando colocados perto do bebé e no volume máximo. Se o usam, mantenham-no afastado do berço e num volume baixo.

3. Almofada
Um bebé não precisa de almofada para dormir. Aliás, a recomendação é precisamente o contrário: deve dormir numa superfície firme, plana e sem almofadas ou outros objetos soltos no espaço de sono.

4. Sapatos
Enquanto não anda, não precisa deles. E, quando começa a andar, sempre que o ambiente for seguro, estar descalço permite ao pé mexer-se livremente e dá à criança informação sensorial importante. Os sapatos tornam-se úteis sobretudo para proteger os pés quando anda no exterior.

5. Detergente da roupa “para bebé”
Não é obrigatório lavar a roupa do bebé com um detergente específico. Um detergente comum pode ser utilizado, idealmente bem tolerado e sem excesso de perfumes ou outros potenciais irritantes, sobretudo nas crianças com pele mais sensível.

A ideia não é que nenhuma destas coisas possa alguma vez ser útil. É outra:

“Pode dar jeito” e “o meu bebé precisa disto” são coisas muito diferentes.

E num mercado onde parece que um bebé precisa de uma casa inteira de coisas, vale a pena saber distinguir. 😅

Que outra coisa compraram para o vosso bebé e, mais tarde, perceberam que não fazia falta nenhuma?👇🏻

⚠️ Atenção!Tudo o que está neste post é verdade. Mas faltava uma coisa essencial: contexto.A água, quando ingerida em qu...
16/08/2026

⚠️ Atenção!

Tudo o que está neste post é verdade. Mas faltava uma coisa essencial: contexto.

A água, quando ingerida em quantidades excessivas num curto período de tempo, pode provocar hiponatremia, edema cerebral, convulsões e, em situações extremas, ser fatal.

Doses muito elevadas de vitamina C podem provocar náuseas, vómitos, dor abdominal ou diarreia e aumentar o risco de cálculos renais.

E doses elevadas de vitamina E, sobretudo através de suplementação, podem aumentar o risco de hemorragia.

Portanto, não menti.

🤔 Mas repare como foi fácil tornar assustadoras três substâncias perfeitamente familiares. Bastou chamar-las pelo nome químico, escolher alguns dos efeitos adversos possíveis e omitir as doses e as circunstâncias em que podem ocorrer.

⚠️ É assim que também se pode desinformar: dizendo coisas verdadeiras de uma forma que nos leva a uma conclusão errada.

“Este produto contém a substância X.”

“A substância X pode provocar Y.”

Logo, “este produto é perigoso”.

‼️ Só que não é assim que avaliamos o risco. A presença de uma substância não nos diz, por si só, se algo é perigoso. Importam a dose, a via de exposição, a frequência, a duração e a forma química.

🚨 E isto tem consequências. Informação verdadeira apresentada sem contexto pode levar alguém a evitar um alimento, tomar suplementos desnecessários, recusar tratamentos ou outras intervenções médicas.

🔎 Da próxima vez que uma publicação o assustar por causa de uma “substância química”, não pergunte apenas: “Isto é verdade?”

Pergunte também: Em que dose? Em que circunstâncias? Qual é o risco real? O que ficou por dizer?

Porque não é preciso inventar factos para desinformar.

Basta escolher cuidadosamente quais contar.

12/08/2026

🧠 Há coisas que a ciência já esclareceu há muito tempo.

Bater não educa. Pode fazer uma criança obedecer naquele momento, mas obedecer por medo não é aprender.

Durante décadas, o castigo físico foi encarado como uma forma aceitável de disciplinar crianças. Hoje, a evidência científica é bastante clara: bater não produz benefícios educativos a longo prazo.

Pelo contrário, estudos longitudinais e meta-análises têm associado o castigo físico a maior agressividade, mais comportamentos externalizantes e antissociais e piores indicadores de saúde mental e de desenvolvimento.

E há aqui um paradoxo importante: usamos a agressão para tentar ensinar uma criança a não ser agressiva.

Uma palmada pode interromper um comportamento naquele instante. Mas isso não significa que tenha ensinado à criança o que fazer de forma diferente. A obediência imediata pode resultar do medo da consequência, não da aquisição de autorregulação.

E não, a discussão não desaparece quando falamos daquela “palmada ocasional”.

Há estudos recentes que questionam a magnitude de alguns dos efeitos negativos atribuídos às formas menos frequentes de castigo físico. Isso é importante e deve ser reconhecido. Mas ausência de demonstração de dano num determinado desfecho não é demonstração de benefício. Até hoje, não existe evidência convincente de que bater seja necessário ou tenha vantagens educativas relativamente a estratégias não violentas.

Por isso, organizações como a Organização Mundial da Saúde e várias sociedades pediátricas recomendam que o castigo físico não seja utilizado na educação das crianças.

E isto também não significa educar sem regras.

Não bater não é não colocar limites.
Não bater não é deixar fazer tudo.
Não bater não é ausência de consequências.

É possível ser firme sem ser violento. Colocar limites claros. Dizer “não”. Lidar com a frustração. Aplicar consequências adequadas. Ensinar comportamentos alternativos.

Educar dá muito mais trabalho do que conseguir obediência imediata.

Mas o objetivo não é criar uma criança que tenha medo de fazer algo errado quando o adulto

É isto. Sou só eu? 🫪
10/08/2026

É isto. Sou só eu? 🫪

🧳☀️ KIT DE VIAGEM COM CRIANÇASViajar com crianças implica estar preparado para pequenos imprevistos. Isso não significa ...
04/08/2026

🧳☀️ KIT DE VIAGEM COM CRIANÇAS

Viajar com crianças implica estar preparado para pequenos imprevistos. Isso não significa levar uma “farmácia ambulante”, mas sim ter consigo o essencial para controlar sintomas frequentes, prestar os primeiros cuidados e evitar deslocações desnecessárias quando tal é seguro.

A maioria dos problemas que surgem durante as férias são ligeiros: febre, dor, vómitos, diarreia, pequenas feridas, picadas de inseto ou reações alérgicas pouco graves. Um kit bem preparado pode fazer toda a diferença nas primeiras horas.

💊 Que medicação faz sentido levar?

Neste post encontra os medicamentos que costumo recomendar para uma viagem em família. A escolha deve ser sempre adaptada à idade, ao peso e aos antecedentes de cada criança.

Algumas notas importantes:
• O ondansetrom (anti-emético) é um medicamento sujeito a receita médica e deve ser utilizado apenas após orientação do médico.
• O anti-histamínico pode ser útil em reações alérgicas ligeiras, mas a dose também depende da idade e do peso.
• Não se esqueça da medicação habitual da criança, caso faça algum tratamento crónico.

🩹 E quanto ao material?

Estes itens simples permitem resolver muitos pequenos acidentes e desconfortos de forma rápida e segura.

⚠️ Este kit não substitui uma avaliação médica quando existem sinais de alarme. O objetivo é ajudá-lo a lidar com situações frequentes até conseguir observação médica, se ela for necessária.

🇪🇺 Se vai viajar dentro da União Europeia, não se esqueça de pedir o Cartão Europeu de Seguro de Doença (CESD) para toda a família. Esperemos que nunca seja preciso utilizá-lo, mas pode facilitar muito o acesso aos cuidados de saúde em caso de doença ou acidente durante a viagem.

🌍 Se vai viajar para fora da Europa ou para destinos com riscos específicos, pode fazer sentido marcar uma consulta do viajante com antecedência.

📌 Guarde este post antes das próximas férias. Esperemos que nunca precise deste kit. Mas, se um dia precisar, vai agradecer tê-lo preparado.

02/08/2026

A parentalidade está cheia de verdades difíceis de aceitar. Aqui ficam 5:

1️⃣ O seu filho não precisa de ser feliz a toda a hora.
A felicidade não é um estado permanente. Frustração, tristeza, medo e desilusão fazem parte de crescer. O nosso papel não é eliminar essas emoções, mas ajudá-los a lidar com elas.

2️⃣ Passar mais tempo com o seu filho não faz automaticamente de si um melhor pai ou mãe.
A quantidade de tempo é importante, mas a qualidade da relação, a disponibilidade emocional e a forma como esse tempo é vivido fazem toda a diferença.

3️⃣ Ser um bom pai ou mãe implica, por vezes, ouvir um “não gosto de ti”.
Educar é, muitas vezes, dizer “não”, estabelecer limites e tomar decisões que os filhos não compreendem naquele momento. Procurar ser sempre o “pai ou mãe preferido” raramente é o caminho certo.

4️⃣ O seu filho nem sempre precisa daquilo que quer.
As necessidades de uma criança nem sempre coincidem com os seus desejos. Educar é, muitas vezes, escolher aquilo de que ela precisa, mesmo quando isso não é o que ela queria.

5️⃣ Proteger o seu filho de todas as dificuldades pode prejudicá-lo mais do que ajudá-lo.
As crianças precisam de errar, de tentar novamente, de lidar com pequenas frustrações e de resolver problemas adequados à sua idade. É assim que desenvolvem autonomia e resiliência.

Estas frases não pretendem julgar ninguém. Pretendem apenas lembrar que educar nem sempre significa escolher o caminho mais fácil ou aquele que gera um sorriso imediato.

💬 Qual destas verdades acha mais difícil de aceitar? Discorda de alguma?

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