01/06/2026
Querida Isabel,
Gostava que soubesses que não tiveste culpa de ter de crescer antes do tempo. Naquela altura, aos 10 anos, o teu corpo era pequeno demais para carregar silêncios que não eram teus e para tentar consertar o que já estava partido ao teu redor.
Tu achavas que, se fosses "perfeita", se não desses trabalho, se fosses a menina que cuida de tudo e de todos, serias finalmente vista. Criaste uma armadura de força para esconder o medo de ser rejeitada, e essa mesma armadura que te protegeu então, é a que hoje te impede de descansar.
Queria abraçar-te e dizer-te que o teu valor nunca dependeu do teu esforço. Tu eras, e és, digna de amor, simplesmente por existires. Não precisas de salvar o mundo para teres o teu lugar nele.
Hoje, no Dia da Criança, partilho isto porque sei que esta ferida não é só minha.
Os nossos filhos provavelmente não vão ler estas palavras, mas tu, que és pai ou mãe, precisas de ler: o que tu não curas na tua criança de 10 anos, acabas por projetar na criança que tens à tua frente agora.
A tua impaciência, o teu excesso de controlo ou o teu medo constante são apenas a tua versão mais nova a tentar sobreviver no corpo de um adulto. O maior legado que podes deixar aos teus filhos é o teu próprio processo de cura.
Liberta a tua criança para deixares o teu filho crescer livre.
Escreve "CURA" nos comentários se sentes que está na hora de resgatar a tua essência. Eu guio-te nesse caminho através da Terapia Transpessoal.