23/08/2026
Quantas histórias cabem num Verão? Prometo que não vou escrever um livro.
No meio dos desabafos sobre a vida, que toda a gente faz: na mesa do café ou no grupo de WhatsApp, eu falava sobre a falta de tempo, sobre as viagens adiadas e as voltas que a minha vida deu. E a Sara respondeu: precisamos de mudar de ares, temos de sair daqui, nem que seja enfiar a mochila no carro e ir a Vigo. Soou tão bem como a sugestão de uma viagem para as Maldivas. Eu fiz a mochila, ela as suas malas - eu reclamo do exagero, mas salvam-me sempre - e fomos estrada fora, sem objectivos e sem nada marcado. O mapa ofereceu-me Ben Harper no Vilar de Mouros, agilizado pela Maria e por uma vaga inesperada num albergue de peregrinos do caminho de Santiago. Dormir num beliche num quarto cheio de pessoas em viagem interior contrasta com as lantejoulas do look da Sara, mas nunca com nosso propósito dos últimos anos: procurar todas as oportunidades para rir e chorar em lugares onde ninguém nos conhece. E enquanto engolia o choro e me ria dos acasos do destino, logo no primeiro café de Vigo tropeçámos numa história que conhecemos mais tarde num bar de vinhos: há um Half Pipe para salvar na praia e quem esteja empenhado a fazer disso uma missão. Assinámos a petição, provámos vinhos naturais, ficámos na fila da frente do concerto do nosso crush da adolescência e fomos acordadas pelo horário restrito de quem está em peregrinação.
Aproveitámos para conhecer Moledo, para trocar um almoço no Porto por uma manhã musical em Viana do Castelo e acabámos a viagem a dividir tremoços na esplanada da praia do Baleal.
O meu luxo são as pessoas, e os kms de estrada a cantar. ♥️ Os Napa dizem e muito bem: eu sou tão Sortudo, tenho amigos pelo mundo.