16/10/2026
Cotonete no ouvido parece higiene, mas para muita gente ele é justamente o motivo da cera não parar de acumular.
Quase todo mundo tem esse ritual: saiu do banho, pegou o cotonete e foi girando lá dentro até ver ele saindo amarelinho. Dá até uma sensação de dever cumprido. Só que esse hábito, que parece tão inofensivo, vai contra o jeito que o ouvido foi feito para funcionar.
Primeiro, uma verdade que surpreende: cera de ouvido não é sujeira. Ela é produzida de propósito pelo corpo, por glândulas que f**am na parte de fora do canal do ouvido. E tem várias funções importantes. Ela hidrata a pele do canal, que é muito fininha e sensível. Funciona como uma armadilha que segura poeira, sujeirinhas e até insetos pequenos. E ainda ajuda a proteger contra fungos e bactérias. É como um escudo natural.
Outra curiosidade: o ouvido se limpa sozinho. A pele de dentro do canal cresce num movimento lento, de dentro para fora, como se fosse uma esteira rolante. Ela vai levando a cera velha, junto com a sujeira grudada, até a entrada da orelha, onde ela seca e cai sem a gente nem perceber. E os movimentos da mandíbula, quando a gente mastiga e conversa, ajudam a empurrar esse processo.
Agora imagine o que acontece quando o cotonete entra. Em vez de tirar a cera, ele empurra boa parte dela de volta lá para o fundo, onde a esteira natural não alcança. Com o tempo, essa cera vai sendo socada e compactada, formando uma espécie de rolha que tampa o canal. Ou seja, quanto mais a pessoa tenta limpar, mais pode acabar entupindo.
Mas o cotonete não é o único motivo do acúmulo. Algumas pessoas simplesmente produzem mais cera. Outras têm o canal do ouvido mais estreito, mais curvo ou com mais pelinhos, o que dificulta a saída natural. Quem usa aparelho auditivo, protetor auricular ou fone de ouvido daqueles que entram no canal por muitas horas também tende a acumular mais, porque o objeto bloqueia o caminho. E com a idade, a cera costuma f**ar mais seca e endurecida, saindo com mais dificuldade.
Uma curiosidade genética: existem dois tipos principais de cera. A úmida, mais pegajosa e amarelada ou acastanhada, é a mais comum em pessoas de origem africana e europeia. Já a seca, mais esfarelada e acinzentada, é bem mais comum em pessoas de origem do leste da Ásia. Essa diferença vem de um único gene, o mesmo que também tem relação com o cheiro do suor nas axilas.
E como saber se a cera passou do limite? Os sinais mais comuns são sensação de ouvido tampado, como se estivesse debaixo d'água, audição abafada, zumbido, coceira, dor leve e às vezes até tontura. Tem gente que sente uma tosse estranha ao mexer no ouvido, porque ali passa um nervinho ligado à garganta.
Agora atenção ao que não fazer. Nada de enfiar grampo, palito, tampa de caneta, chave ou ponta de toalha torcida dentro do ouvido. Isso pode machucar a pele do canal, causar infecção e até furar o tímpano, que é uma membrana muito fina. Outra moda perigosa é a tal "vela de ouvido". Além de não funcionar, ela pode causar queimaduras no rosto e no ouvido e deixar cair cera de vela lá dentro.
O jeito certo de cuidar é bem simples: lavar e secar só a parte de fora da orelha com a ponta da toalha, sem entrar no canal. Se o ouvido tampar, o ideal é procurar um profissional de saúde. Ele vai olhar lá dentro com um aparelho próprio e decidir a melhor forma de retirar, que pode ser lavagem, aspiração ou instrumentos específicos. Em alguns casos, ele pode indicar gotas para amolecer a cera antes. E é importante que essa avaliação aconteça antes de qualquer lavagem, porque quem tem o tímpano furado não pode fazer certos procedimentos.
E se vier dor forte, secreção saindo do ouvido, sangue, febre ou perda de audição repentina, isso já não tem cara de simples cera acumulada e precisa de atendimento rápido.
A reflexão que f**a é curiosa: às vezes, o corpo só precisa que a gente pare de atrapalhar. O ouvido passou milhares de anos se virando muito bem sem cotonete. Nem tudo que sai do corpo é sujeira, e nem toda limpeza é cuidado. Em alguns casos, cuidar bem é justamente saber a hora de deixar quieto.
Nota: este conteúdo (texto e imagem) é educativo e informativo. Não substitui avaliação médica presencial nem deve ser usado para autodiagnóstico. Se houver sintomas ou dúvidas sobre sua saúde, procure sempre um profissional qualif**ado.
Obs: Imagem gerada por inteligência artificial.