02/09/2026
Numa altura em que se discute se a medicina integrativa, funcional e por aí fora é ou não uma especialidade da medicina dei por mim a pensar no que será realmente importante.
Claro que importa saber o que é ou não uma especialidade reconhecida. Importam a formação, a regulamentação, os limites profissionais e, acima de tudo, a evidência.
Mas será que é só isso que estamos a discutir?
A saúde também é feita de instituições, hierarquias, interesses e territórios profissionais. E talvez seja ingénuo pensar que todas as resistências à mudança acontecem exclusivamente em nome da ciência.
Isto não signif**a aceitar tudo o que aparece com um nome novo. Nem tudo o que é “integrativo” ou “funcional” tem evidência. Pensamento crítico é indispensável.
Mas pensamento crítico também funciona nos dois sentidos.
Enquanto Terapeuta da Fala, isto faz-me pensar também na minha própria área. Trabalhar com gaguez ensinou-me, entre muitas outras coisas, que reconhecer os limites do nosso conhecimento e saber quando encaminhar não diminui a nossa profissão.
Talvez a pergunta mais interessante não seja apenas: “Isto é uma especialidade?”
Talvez fosse interessante perguntar e refletir:
Há evidência?
Há competência?
Os doentes têm melhorias?
Referem maior bem-estar?
E há uma pergunta que me parece cada vez mais importante:
Porque estão tantas pessoas a procurar respostas fora da medicina convencional?
Talvez esta pergunta mereça ser ouvida antes de ser julgada.
No fim, aquilo que mais me interessa é isto:
Estamos a proteger as pessoas ou estamos a proteger territórios?
Gostava genuinamente de saber o que pensam.
.gaguez