17/07/2019
O esgotamento físico/mental, a Síndrome da Fadiga Crónica e a NUTRIÇÃO
No meu consultório, têm sido muito frequentes as queixas, sobretudo por parte das mulheres, relacionadas com problemas físicos ou psicológicos, sendo o STRESS EXCESSIVO e PROLONGADO o denominador comum da grande maioria da sintomatologia apresentada.
O excesso de stress, quer proveniente de "fatores externos" – trabalho, relacionamentos, filhos/família – ou internos – começa no cérebro, mas ramifica-se por todos os sistemas do organismo - o psicológico, neuroendócrino, imunológico...
O stress em excesso pode funcionar também como um gatilho que dispara um problema genético, que poderia manter-se silenciado durante toda uma vida. A gestão e o doseamento deste do stress está associado à nutrição, ao sono e à atividade física diária – ao estilo de vida. A forma como nos nutrimos, seja através dos alimentos, seja de outros cuidados pessoais, afeta e é afetada pela gestão do stress que fazemos no nosso dia-a-dia.
As escolhas alimentares que fazemos e os níveis de energia física e mental têm uma relação muito estreita entre si. Muitas vezes, a falta de energia, tão frequente em homens e mulheres jovens, profissionalmente ativos, com ou sem filhos, é consequência de um défice de vitaminas, minerais, ácidos gordos essenciais, determinados aminoácidos e substâncias antioxidantes, sobretudo pelas demandas nutricionais que acompanham os níveis de exigências e responsabilidades sobre si mesmas, proveniente dos ambientes familiar, profissional e social.
Outro fator associado às fugas de energia e nutrientes é a medicação regular, tão comum entre as mulheres, desde muito jovens – como os anticoncetivos orais, os antidepressivos, os ansiolíticos, etc.
Com a vida agitada que muitas mulheres levam nos dias de hoje, é fácil arrastarem consigo carências nutricionais por muito tempo, sem serem detetadas em consultas médicas de rotina. Isto acontece exatamente porque grande parte das carências são subclínicas, escondendo-se atrás de muitas doenças do corpo ou da mente, tratadas – quando o são – de forma superficial ou simplesmente sintomatológica.
Antes de qualquer intervenção farmacológica ou qualquer outra terapêutica invasiva, é preciso procurar primeiro as verdadeiras causas dos desequilíbrios presentes. Se o problema é falta de energia ou de memória, uma perturbação do humor ou uma diminuição da motivação para as atividades diárias, precisamos refletir, para além da saúde mental, acerca dos padrões alimentares, da qualidade do sono e da prática da atividade física.
Quando o stress é muito elevado…
o consumo de nutrientes pelo organismo aumenta drasticamente,
os níveis de inflamação das células e dos tecidos do organismo em geral e do sistema nervoso em particular aumentam consideravelmente,
a formação de radicais livres associada a estes processos demandam um maior consumo de compostos antioxidantes endógenos (produzidos pelo organismo) ou exógenos (provenientes da alimentação) muito acima do que necessitaríamos se levássemos uma vida mais tranquila.
As necessidades de nutrientes específicos tornam-se muito elevadas. Um exemplo destes nutrientes é a GLUTATIONA, um poderoso antioxidante do organismo (endógeno e exógeno). Mesmo que aumentemos a ingestão de alimentos ricos neste antioxidante, como por exemplo o abacate, se a nossa alimentação for rica em gordura saturada ou trans (gorduras vegetais hidrogenadas presentes nos alimentos processados), os níveis de glutationa baixam consideravelmente. Por outro lado, apenas conseguimos manter os níveis desta enzima antioxidante no nosso organismo, se a alimentação fornecer boas fontes de vitamina C, zinco, selénio e magnésio!!
Conhecer os nutrientes importantes para o bom funcionamento do sistema nervoso e de todo o organismo pode ajudar muito, mas não se resolve comprando simplesmente um suplemento rico nestes compostos, pois o estado nutricional resulta de um equilíbrio biodinâmico, em que o funcionamento dos vários sistemas é controlado pelo recurso mais escasso, chamado fator limitante, e não pela quantidade total de recursos disponíveis. Por exemplo, a insuficiência de uma vitamina ou de um oligoelemento específico, tão comum num corpo em stress, condiciona todo o processo de formação de um neurotransmissor ou de uma hormona importante.
A sensação de esgotamento físico e mental tão frequentemente sentida nesta altura do ano, resulta muitas vezes de uma complexidade de fatores, que não se resolve apenas com a chegada das férias de Verão, com a toma de um fármaco ou de um suplemento nutricional ou fitoterápico isolado. É preciso avaliarmos o grau de toxicidade do organismo, o funcionamento dos vários sistemas do corpo – o sistema digestivo, imunitário, neuroendócrino, entre outros – bem como o estilo de vida que levamos, de forma a conhecermos as verdadeiras causas do problema e com isso estabelecer as soluções mais eficazes.
A refletirmos...
E se for caso disso,
Boas férias!