10/01/2024
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""Não me deixe… eu posso esperar por você.""
""Você não precisa esperar por mim.""📚
Capítulo 1 Adeus.
"Ele não está mais sozinho."
Quando Laura Mendes recebeu a mensagem, ela estava sentada sozinha em um banco no saguão da clínica, tentando ignorar o cansaço que tomava conta do seu corpo. Seu rosto estava pálido, e seus olhos demonstravam uma exaustão que ela já não conseguia esconder. Mesmo assim, sua aparência delicada ainda chamava a atenção de quem passava.
Ela olhou para o celular.
Por alguns segundos… não teve coragem de abrir.
Mas acabou abrindo.
Na foto, Henrique Navarro aparecia saindo de um hotel, ao lado de uma mulher elegante. Eles caminhavam próximos demais. O braço dele estava ao redor dela, e seu olhar, normalmente frio, parecia diferente — mais leve, quase afetuoso.
Laura reconheceu a mulher.
Beatriz Costa.
O passado que nunca foi embora.
Ela ficou em silêncio.
Seu coração apertou, mas nenhuma lágrima caiu.
Depois de alguns instantes, ela encontrou o número dele e ligou.
A ligação demorou.
Até que ele atendeu.
"O que foi?"
A voz dele era direta.
Sem emoção.
"Você volta hoje?"
Ela queria perguntar outra coisa.
Mas não conseguiu.
Do outro lado, silêncio breve.
Depois, irritação:
"Se for importante, fala logo."
Ela fechou os olhos por um segundo.
"Você esqueceu de hoje?"
Eles estavam casados há três anos. Um casamento escondido, quase inexistente aos olhos dos outros. Hoje era o aniversário deles — o dia que ela esperava há semanas.
Mas ele respondeu:
"Eu vejo depois."
E completou:
"Não começa."
A ligação caiu.
Laura permaneceu imóvel.
O som do silêncio parecia mais alto do que qualquer coisa.
Ela respirou fundo algumas vezes, tentando controlar a dor que apertava seu peito.
Então, ligou para sua amiga, Renata.
Pouco tempo depois, passos rápidos se aproximaram.
Renata surgiu com seu jeito decidido, caminhando direto até ela.
Ao vê-la, seu olhar se suavizou.
"Ele já seguiu em frente."
E depois, mais baixo:
"E você ainda tá presa nisso."
Laura abaixou a cabeça.
Sem resposta.
Porque era verdade.
Aquele casamento nunca foi amor para ele.
Foi obrigação.
Mas para ela…
foi tudo.
Ela acreditava que o tempo mudaria as coisas. Que ele esqueceria o passado. Que, um dia, escolheria ficar.
Mas agora…
ela finalmente entendeu.
Ela nunca foi a escolha dele.