21/04/2026
Nos últimos anos, cortar glúten e lactose virou tendência.
Mas essas restrições têm indicação clara.
A doença celíaca é uma condição autoimune e exige exclusão total do glúten — com diagnóstico bem estabelecido.
A intolerância à lactose é uma deficiência enzimática, com sintomas que variam de acordo com a quantidade ingerida.
Fora desses casos, não há evidência consistente de benefício em retirar esses alimentos da dieta (Cochrane).
Na prática, o que muitas vezes acontece é:
👉 redução das opções alimentares
👉 substituição por produtos “sem glúten” ou “sem lactose” mais processados
👉 risco de baixa ingestão de fibras e micronutrientes
E a melhora inicial ou perda de peso?
Geralmente vem da restrição calórica indireta, não da retirada do glúten ou da lactose em si.
Outro ponto importante: em alguns casos, os sintomas atribuídos ao glúten podem estar relacionados a outros componentes da dieta, como FODMAPs (Gastroenterology, 2018).
Resumo simples:
👉 quem tem diagnóstico, trata
👉 quem não tem, não precisa excluir
Restringir sem indicação não é estratégia.
É uma limitação desnecessária.