08/06/2026
O desejo nunca foi apenas íntimo. Ele sempre foi atravessado por normas, moral, religião, medicina, estética, mercado e por todas as ideias que tentaram ensinar principalmente às mulheres como deveriam sentir, desejar, envelhecer, se comportar e existir dentro do próprio corpo.
Durante muito tempo, a s*.xualidade feminina foi controlada pelo silêncio. Depois, passou a ser controlada pela performance: seja livre, mas não demais.
Tenha desejo, mas no limite aceitável. Cuide do corpo, mas nunca pareça satisfeita com ele. Envelheça, mas sem parecer que envelheceu.
E talvez seja aí que a pergunta fique mais importante: quantas inseguranças que parecem individuais foram, na verdade, ensinadas?
Quando a gente fala de s*.xualidade, também fala sobre quem teve o direito de sentir prazer sem culpa, quem precisou esconder o desejo, quem foi ensinada a agradar antes de se escutar e quem lucra quando o corpo feminino vira um projeto permanente de correção.
Conhecer o próprio corpo, nomear o próprio desejo e questionar as regras que nos atravessam também é cuidado.
Porque liberdade s*.xual não é só poder fazer, é poder compreender, escolher e sentir sem viver pedindo permissão.