03/08/2026
Quando uma criança está vivendo uma emoção intensa, quase todas as orientações se voltam para aquilo que o adulto deveria fazer.
Acolha. Nomeie. Valide. Mantenha a calma. Ajude-a a se regular.
E existe algo importante nisso: crianças realmente precisam de adultos que as ajudem a atravessar emoções que ainda não conseguem organizar sozinhas.
O problema começa quando transformamos essa necessidade da criança em mais uma exigência de desempenho para a mãe.
Porque aquela mãe que deveria permanecer calma talvez esteja há horas sendo tocada, chamada e solicitada.
Talvez tenha dormido mal.
Talvez esteja tentando administrar trabalho, casa, filhos, relacionamento, saudade e adaptação longe da rede que conhecia.
Talvez o sistema nervoso dela também esteja dizendo: chega.
Mas, diante da crise da criança, parece não haver espaço para isso.
Ela precisa ser paciente. Precisa falar baixo. Precisa responder da maneira “certa”. Precisa regular o filho sem demonstrar que também chegou ao próprio limite.
E quando não consegue, ainda vem a culpa.
É por isso que falar sobre regulação emocional infantil sem falar sobre as condições emocionais de quem cuida deixa uma parte importante da história de fora.
Corregulação não exige uma mãe perfeitamente regulada.
Mães também se irritam. Também se desorganizam. Também levantam a voz. Também precisam se afastar por alguns minutos. Também precisam reparar quando algo não saiu como gostariam.
Talvez, enquanto aprendemos a perguntar: “Do que essa criança precisa?”
precisemos começar a perguntar também: “Do que essa mãe precisa para conseguir continuar cuidando sem desaparecer de si mesma?”
Porque a criança merece ser olhada.
E a mãe também.
Se essa conversa fez você pensar em outra mãe que está atravessando as big emotions dos filhos enquanto tenta dar conta das próprias, compartilhe este post com ela.
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