30/08/2026
A glicemia elevada no diabetes não acontece apenas por falta de insulina.
Em 2009, o endocrinologista Ralph DeFronzo descreveu o chamado “octeto ominoso”: oito alterações que contribuem para o desenvolvimento e a progressão do diabetes tipo 2.
Entre elas estão:
A redução da produção de insulina pelo pâncreas;
A resistência à insulina nos músculos;
O aumento da produção de glicose pelo fígado;
A maior liberação de gordura pelo tecido adiposo;
A diminuição do efeito das incretinas no intestino;
O aumento da reabsorção de glicose pelos rins;
Alterações cerebrais relacionadas à saciedade e ao metabolismo;
E a desregulação das células alfa do pâncreas.
Essa última alteração envolve um hormônio pouco valorizado, mas extremamente importante no controle da glicemia.
Enquanto a insulina ajuda a retirar a glicose do sangue, esse outro hormônio orienta o fígado a liberar glicose para a circulação. Essa função é fundamental durante o jejum e em situações de hipoglicemia.
O problema é que, no diabetes, ele pode permanecer inadequadamente elevado mesmo quando a glicemia já está alta. Como consequência, o fígado continua produzindo e liberando glicose, contribuindo tanto para a hiperglicemia de jejum quanto para o aumento da glicose após as refeições.
Esse hormônio é o glucagon.
Alguns medicamentos ajudam a controlar o diabetes também por reduzirem a secreção inadequada de glucagon.
Isso mostra por que o tratamento do diabetes não deve olhar somente para a insulina. É necessário compreender os diferentes mecanismos que mantêm a glicemia elevada e escolher o tratamento mais adequado para cada paciente.
Salve este conteúdo para se lembrar: no diabetes, a insulina é apenas uma parte da história.