02/06/2026
Existe um ponto da jornada que é desconfortável.
É quando a consciência começa a iluminar partes de nós que antes estavam escondidas.
Não para gerar culpa.
Não para nos condenar.
Mas para nos tornar mais conscientes.
Se você reparar bem, todos nós estamos aqui tentando sobreviver de alguma forma.
Sobreviver à sensação de insuficiência.
À sensação de não pertencimento.
Ao medo de não sermos amados.
Por isso buscamos reconhecimento.
Sucesso.
Aprovação.
Tentamos nos tornar alguém.
Afinal, uma das perguntas que mais ouvimos desde crianças é:
“O que você vai ser quando crescer?”
E sem perceber, passamos a colocar nossa identidade nas coisas externas.
No que fazemos.
No que conquistamos.
No que os outros pensam sobre nós.
Enquanto isso, esquecemos quem somos por trás de todos os papéis.
Enquanto acreditamos que o sofrimento é causado apenas pelo que os outros fizeram, continuamos presos à mesma história.
Mas quando começamos a enxergar nossas próprias estratégias de sobrevivência, algo muda.
A percepção se amplia.
E aos poucos a necessidade de julgar vai dando lugar à compreensão.
Porque você percebe que por trás de muitos comportamentos existe alguém tentando se proteger.
Alguém tentando pertencer.
Alguém tentando ser amado.
Alguém tentando sobreviver.
Isso não significa justificar tudo.
Mas significa enxergar além da superfície.
Foi nesse lugar que a compaixão começou a nascer em mim.
Primeiro por mim mesma.
Depois pelas outras pessoas.
Porque quando lembramos que todos estamos tentando sobreviver de alguma forma, o julgamento perde força e o coração começa a se abrir.
Faz sentido pra você?