10/06/2026
Quando a coluna trava, o primeiro impulso de muita gente é parar tudo, deitar e esperar a dor passar.
Mas esse instinto nem sempre acompanha o que a ciência recomenda hoje.
Em casos comuns de dor lombar, especialmente nas lombalgias inespecíf**as, o repouso absoluto prolongado deixou de ser visto como a melhor conduta. Pelo contrário: diretrizes internacionais reforçam que manter algum nível de atividade, dentro do limite da dor e com orientação adequada, costuma ser mais seguro e funcional do que permanecer imóvel por dias.
A revisão Cochrane sobre repouso no leito versus manter-se ativo em dor lombar aguda avaliou ensaios clínicos randomizados e concluiu que pacientes orientados a permanecer ativos podem ter pequenos benefícios em dor e função quando comparados ao repouso no leito.
A diretriz do NICE, uma das principais referências britânicas em saúde baseada em evidências, recomenda que pacientes com dor lombar recebam informação, orientação de autocuidado e encorajamento para continuar suas atividades normais sempre que possível.
A Organização Mundial da Saúde também publicou diretrizes para o manejo não cirúrgico da dor lombar crônica primária, reforçando intervenções como educação, autocuidado e estratégias não farmacológicas em cuidados primários.
A mensagem é: repouso absoluto, sem avaliação e sem critério, pode atrasar a recuperação, aumentar medo de movimento e reforçar incapacidade.
Atenção: dor associada a perda de força, formigamento progressivo, alteração para urinar ou evacuar, febre, trauma, perda de peso inexplicada ou dor intensa persistente precisa de avaliação médica.
Dr. Marcos Daniel Xavier
Neurocirurgião e cirurgião de coluna com residência pela Universidade Federal de São Paulo e título de especialista pela Sociedade Brasileira de Neurocirurgia.
CRM GO 18937 • RQE Neurocirurgia Nº 17450
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