27/05/2026
Sabemos que o suicidio é um fenômeno complexo, permeado por uma rede de fatores variados, singulares e imprevisíveis, que se somaram ao longo da vida do indivíduo.
Fenômenos esses que se relacionam com os processos de subjetivação do sujeito, com os seus estados psíquicos e também com os fatores de ordem social, cultural e político.
Pensando nas questões inconscientes, o ato suicida, bem como as tentativas e as ideias suicidas, falam mais de um mecanismo de defesa para escapar de um sofrimento sentido como insuportável, e do pouco recurso psíquico para simbolizar essa dor, do que uma decisão propriamente dita sobre não querer mais viver.
Muitas vezes, o sofrimento não parece ser evidente, é uma morte que vai acontecendo internamente e silenciosamente, ocorrendo uma divisão do sujeito na relação com o seu desejo, o qual enfraquece, podendo virar uma angústia ou uma inibição muita intensa, se vê tão separado de si mesmo que o próprio desejo de viver se torna ralo e sem sentido.
A nossa contemporaneidade, principalmente no contexto do mundo digital, favorece esses processos a medida que traz como sintoma atual uma alienação de si mesmo, causando dissociações nos processos de subjetivação.
Quando há a possibilidade de um diálogo, pode haver prevenção, quando o sujeito encontra um espaço para colocar em palavras a sua dor, contar sobre a sua história, constrói uma narrativa sobre si, traz o seu passado, faz uma relação com o futuro e traz o seu real desejo, se sente ajudado e pertencendo novamente, passa a buscar outros tratamentos necessários, e a chance de acontecer de fato o ato suicida, diminui, reduz, se separa das fantasias de morte e vislumbra novas possibilidades e novos propósitos.
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