27/05/2026
Existe uma parte das doenças autoimunes que quase nunca aparece nos exames.
A parte emocional de olhar para o próprio corpo e não reconhecer mais quem você era antes da doença.
Porque doenças autoimunes não afetam apenas articulações, pele, músculos ou órgãos. Elas podem mudar a percepção de identidade, feminilidade, autoconfiança e a forma como muitas mulheres passam a existir no mundo.
Muitas pacientes escutam frases como: “mas você nem parece doente”, “você é muito nova, isso vai passar”. E, aos poucos, começam a duvidar da própria dor, da própria percepção e até do próprio corpo.
Existe um desgaste silencioso em precisar negociar diariamente com um corpo muitas vezes imprevisível. Em não saber se amanhã será um dia bom ou ruim. Em sentir medo do futuro sem conseguir traduzir isso para quem está ao redor.
E a autoestima também precisa ser reconstruída dentro do processo de adoecimento. Porque autoestima não é apenas gostar da própria aparência.
É conseguir olhar para si mesma sem acreditar que perdeu valor porque o corpo mudou.
Seu diagnóstico não diminui sua feminilidade. Não apaga sua identidade. Não reduz quem você é.
Você vive uma condição médica real, complexa e profundamente desgastante — física e emocionalmente.
E eu quero que você se lembre disso: você não está sozinha.
Marina Peres Verdi de Almeida | Reumatologista
CRM 134242-SP | RQE 40516 | RQE 37948