10/05/2026
O olhar encanta.
Na constituição psíquica do bebê, o olhar da mãe ocupa uma função fundamental. Muito antes da linguagem verbal, é através do olhar que a criança começa a perceber que existe para alguém. O bebê se reconhece inicialmente no rosto materno: nos gestos, na voz, na presença e, sobretudo, na maneira como é olhado.
Para a psicanálise, o olhar materno não é apenas um ato de ver, mas um investimento afetivo. Quando a mãe olha para o filho, ela o inscreve simbolicamente no mundo, oferecendo um lugar de existência e reconhecimento. Esse olhar transmite cuidado, desejo, acolhimento e também os primeiros contornos da identidade da criança.
Donald Winnicott afirmava que, ao olhar para o rosto da mãe, o bebê encontra um reflexo de si mesmo. A mãe suficientemente boa devolve à criança uma imagem de valor e continuidade, permitindo que ela desenvolva segurança emocional e senso de existência.
Já Jacques Lacan articula o olhar como um elemento central na constituição do sujeito. O bebê se constitui a partir do desejo do Outro — inicialmente representado pela mãe — e o olhar participa dessa experiência primordial de reconhecimento e falta.
Quando o olhar materno está disponível, interessado e afetivamente presente, a criança tende a experimentar maior segurança psíquica. Quando esse olhar falha de maneira intensa ou persistente — seja pela ausência emocional, depressão, rejeição ou indiferença — podem surgir marcas importantes na constituição subjetiva, afetando autoestima, vínculos e sentimento de pertencimento.
“É pelo olhar da mãe que a criança se desenvolve” Melanie Klein
Entretanto, a função materna não precisa ser exercida pela mãe biológica. Qualquer figura que ofereça presença afetiva, cuidado e reconhecimento pode sustentar essa função simbólica tão essencial ao desenvolvimento humano.
Para as mulheres cabe o olhar 👁️ para si mesmas e escolher o seu percurso de sustentar uma mulher dividida, não completa em suas funções, incluindo a maternidade.
Feliz dia da função encantadora que é a mãe🌹