11/10/2021
Popularmente tratado com bastante medo, o assunto demência é cheio de tabus. Quando não é utilizada de modo pejorativo (ou até ofensivo), falar sobre demência inclui diversos pontos de vista que nem sempre chegam perto do que realmente se trata esse assunto. Afinal, você sabe o que é demência? O neurologista Dênis Gualberto fala sobre o assunto.
O médico explica que falar sobre o assunto é muito importante devido a prevalência da condição, principalmente em idosos como consequência do envelhecimento da população. “É importante identificar os casos para melhorar a qualidade de vida tanto dos pacientes, quanto dos familiares. Inclusive, no mês de setembro tivemos o Dia da Conscientização da Doença de Alzheimer, que é uma doença que pode ser uma das formas de demência, mas vale destacar que não é a única”, conta.
A demência representa uma dificuldade ou limitação em duas ou mais habilidades cognitivas como memória, linguagem, atenção, cálculo, capacidade de se perceber no espaço e dificuldade de planejar e executar tarefas. Além disso, as alterações cognitivas poderão ou não estar acompanhadas de sintomas psiquiátricos como confusão mental, alterações comportamentais, alucinações e delírios, é o que explica o neurologista. “Em alguns casos, temos pacientes que esquecem compromissos importantes como pagar contas ou tomar medicações. As pessoas podem acabar esquecendo o nome de familiares, podem ter problemas no trânsito, podem ficar desatentos e terem dificuldade na elaboração de discursos.”
Dênis alerta ainda sobre a existência do déficit cognitivo leve, que é mais brando e muito comum na população. “Nesses casos, os sintomas não causarão prejuízos maiores ao paciente e poderá evoluir ou não para um quadro demencial”, informa.
Sempre que o familiar ou paciente perceber um sintoma cognitivo, deverá procurar um médico. Os mais indicados para esses casos são os neurologistas e geriatras. O médico explica ainda que o familiar tem papel chave na questão da abordagem dos danos cognitivos, já que, em muitos casos, o paciente não percebe seu déficit. “Os exames buscarão causas potencialmente tratáveis como alterações psiquiátricas. Posso destacar a depressão, ansiedade, déficit de atenção e uso de substâncias como o álcool e outras dr**as. Outras causas comuns são as doenças infecciosas crônicas, doenças metabólicas, falta de vitaminas, doenças inflamatórias, tumores e AVCs”, alerta.