30/08/2026
IA pode acolher? Mas acolhimento não é, a base da terapia?
A inteligência artificial já ocupa um lugar importante na forma como buscamos informação, organizamos pensamentos e, sim, até elaboramos sentimentos. E eu não acho que a discussão deva ser sobre demonizar seu uso. Eu mesma reconheço o quanto ela pode ser uma ferramenta potente.
Uma IA pode estar disponível às três da manhã. Pode ajudar alguém a colocar em palavras aquilo que ainda está confuso. Pode fazer perguntas, organizar pensamentos, oferecer informações e até proporcionar um alívio momentâneo quando parece não haver ninguém por perto.
Mas existe uma diferença fundamental entre responder ao sofrimento e sustentar uma relação terapêutica.
Na clínica, não escutamos apenas aquilo que é dito.
Escutamos o silêncio.
A hesitação.
A mudança no olhar.
A frase interrompida.
Aquilo que o paciente repete sem perceber.
Aquilo que evita.
Aquilo que acontece na relação entre terapeuta e paciente.
E, dependendo da abordagem, é justamente nessa relação que grande parte do trabalho acontece.
Por isso, talvez a pergunta não seja: “A IA vai substituir o psicólogo?”
A pergunta mais interessante é: qual lugar queremos dar à IA no cuidado com o sofrimento humano?
Como ferramenta de apoio, psicoeducação, organização e ampliação de acesso, há possibilidades enormes.
Como substituta de um processo terapêutico, precisamos reconhecer seus limites.
Porque sofrimento psíquico não é apenas um problema esperando pela resposta correta.
É história, corpo, contexto, vínculo, contradição, transferência, silêncio e encontro.
A tecnologia pode ajudar a organizar palavras. Mas há dores que só aparecem quando existe alguém verdadeiramente ali para escutá-las.
E você, já usou IA para falar sobre o que estava sentindo? Usa? Conta aqui como foi essa experiência. Vou adorar saber!