10/05/2026
Mãe,
há mulheres que passam pela vida.
E há mulheres que se tornam casa.
Tu foste casa.
Mesmo quando o mundo parecia duro,
mesmo quando o cansaço morava nos teus olhos,
havia em ti um jeito silencioso de amar
que segurava tudo sem fazer barulho.
Hoje eu olho essas fotografias
e vejo mais do que momentos.
Vejo tempo transformado em afeto.
Vejo mãos que acolheram,
colo que protegeu,
olhos que aprenderam a amar antes mesmo de pedir algo em troca.
Na menina do ursinho,
havia alguém sendo amada sem ainda compreender a profundidade disso.
Na mulher que te entregou um neto nos braços,
havia continuidade.
Havia tua história seguindo viva em outras vidas.
E nessa última imagem…
há algo que nenhuma palavra alcança completamente:
o encontro entre o começo e o fim,
entre quem deu a vida
e quem devolve sentido a ela.
Hoje eu consigo entender algo que talvez antes eu não conseguisse.
Mesmo coberta pelas tuas dores,
mesmo sem saber como separar o que era teu do que era meu,
mesmo me transferindo, muitas vezes, os teus medos, angústias e feridas…
você me amou.
Do jeito que conseguiu.
Do jeito que sabia.
Do jeito que a vida te permitiu aprender.
E há uma coragem imensa em reconhecer isso.
Porque amar alguém também é olhar para sua humanidade inteira,
não apenas para as faltas.
Teu amor nunca foi perfeito, mãe.
Mas foi real.
E talvez seja justamente isso que torna tudo tão profundamente humano.
Talvez seja isso que as mães façam:
elas costuram eternidade nas pessoas que amam.
E mesmo quando a vida muda os cenários,
mesmo quando os anos passam depressa,
há coisas que continuam intactas:
o teu olhar sobre mim,
e o meu amor por ti.
Para Eloisa,
que transformou cuidado em presença
e presença em memória viva.
Com amor,
Gra.