Dra. Juliana Pelaio

Dra. Juliana Pelaio Sou a Dra. Juliana Pelaio, médica hematologista formada pela Unifesp. Trabalho na área da hematologia com foco em pacientes oncológicos.

21/08/2026

Uma nova combinação terapêutica está mudando o cenário do tratamento do mieloma múltiplo recidivado ou refratário.

O teclistamab, um anticorpo biespecífico anti-BCMA, passou a ser combinado mais precocemente com daratumumabe em pacientes que já haviam recebido três linhas anteriores de tratamento.

No estudo MAJESTEC-3, a combinação apresentou resultados expressivos: cerca de 83% dos pacientes estavam vivos e sem progressão da doença em três anos, contra aproximadamente 30% no grupo comparador.

Mais de 80% dos pacientes também alcançaram resposta completa ou maior.

Mas inovação em hematologia não significa apenas olhar para a eficácia.

Ao ativar intensamente o sistema imunológico, precisamos considerar também complicações como infecções, hipogamaglobulinemia, citopenias e síndrome de liberação de citocinas.

Por isso, a discussão agora vai além de qual é a terapia mais nova.

Precisamos pensar qual paciente deve receber uma terapia direcionadora de células T, em qual momento e como manejar suas complicações.

Porque inovação de verdade não é apenas ter novas opções. É saber para quem, quando e como usá-las.

20/08/2026

Linfonodo aumentado: quando investigar e quando indicar biópsia?

Receber um paciente com linfonodomegalia é uma situação comum na prática clínica. Mas a sequência de decisões faz toda a diferença para evitar atrasos no diagnóstico.

Antes de solicitar exames de forma indiscriminada, é fundamental caracterizar o linfonodo:
• Localização
• Tamanho
• Consistência
• Mobilidade
• Tempo de evolução

Depois, o contexto clínico orienta a investigação: infecção recente, sintomas B (febre, perda de peso e sudorese noturna), doenças autoimunes, exposição a agentes infecciosos e outras alterações associadas.

Os exames laboratoriais e de imagem ajudam na avaliação, mas é importante lembrar:

➡️ Hemograma normal não exclui linfoma.
➡️ LDH elevado não confirma o diagnóstico.
➡️ Quando a suspeita clínica persiste, a biópsia é o exame que estabelece o diagnóstico na maioria dos linfomas.

O objetivo não é pedir mais exames. É solicitar o exame certo, no momento certo.

Você costuma encontrar dificuldade na investigação de linfonodos aumentados?

19/08/2026

Recebeu um hemograma com a hemoglobina baixa e ficou em dúvida se isso significa anemia ou se precisa tomar ferro?

A hemoglobina reduzida é um sinal que precisa ser interpretado dentro do contexto clínico. Anemia não é sinônimo de deficiência de ferro.

A avaliação pode considerar o histórico do paciente, exames anteriores, características das hemácias, leucócitos, plaquetas e reticulócitos. A partir dessas informações, é possível direcionar a investigação para a causa.

Deficiência de ferro é uma causa comum de anemia, mas existem outras possibilidades, como deficiência de vitaminas, doenças renais, inflamações crônicas, alterações hereditárias e doenças da medula óssea.

Por isso, não comece a tomar ferro por conta própria apenas porque a hemoglobina apareceu baixa no exame.

Mais importante do que olhar apenas para o número é entender por que a hemoglobina está baixa.

Salve este vídeo para consultar quando receber seu próximo hemograma.



Hook parecida com a anterior. Criar outra mais viral

Sim. Como a anterior foi “Hemoglobina baixa: preciso me preocupar?”, eu iria para uma hook que gere mais curiosidade e quebre uma associação automát

18/08/2026

Hemoglobina discretamente baixa não significa, automaticamente, deficiência de ferro.

Antes de prescrever ferro, é importante entender se existe realmente uma anemia e qual é o padrão dessa alteração.

Na prática, alguns passos ajudam a direcionar a investigação:

• comparar a hemoglobina com exames anteriores
• avaliar o VCM
• observar leucócitos e plaquetas
• analisar os reticulócitos
• a partir desses dados, direcionar os próximos exames

Dependendo do caso, a investigação pode incluir ferritina, vitamina B12, folato, função renal, marcadores de hemólise, inflamação, função tireoidiana e, em situações selecionadas, investigação de hemoglobinopatias ou doenças da medula óssea.

E existe uma pergunta que não deveria ser esquecida:

mesmo quando a deficiência de ferro é confirmada, por que esse paciente ficou deficiente?

A anemia pode ser discreta. A causa dela, nem sempre.

Salve este vídeo para consultar quando aparecer uma hemoglobina baixa no seu consultório.

Um transplante de medula óssea pode representar um novo capítulo no tratamento de uma leucemia. Mas ele não significa qu...
17/08/2026

Um transplante de medula óssea pode representar um novo capítulo no tratamento de uma leucemia. Mas ele não significa que a jornada terminou.

Em alguns casos, mesmo após um transplante bem-sucedido, existe o risco de uma complicação chamada DECH, ou doença do enxerto contra o hospedeiro.

Ela acontece quando as células imunológicas do doador reconhecem tecidos do paciente como estranhos e passam a atacá-los. Pele, fígado, intestino e outros órgãos podem ser afetados.

Por isso, depois do transplante, o acompanhamento hematológico continua sendo fundamental.

A decisão sobre o transplante também é sempre individualizada. É preciso avaliar benefícios, riscos, características da doença, resposta ao tratamento e condições clínicas do paciente.

Porque, na hematologia, tratar a doença é apenas uma parte do cuidado.

Cuidar da pessoa também faz parte do tratamento.

Leucocitose é um achado frequente no hemograma e, muitas vezes, a primeira hipótese é infecção.Mas antes de associar aut...
14/08/2026

Leucocitose é um achado frequente no hemograma e, muitas vezes, a primeira hipótese é infecção.

Mas antes de associar automaticamente leucócitos elevados a um processo infeccioso, vale olhar o contexto.

Uso de corticoide, inflamação, estresse fisiológico, tabagismo e outras condições também podem alterar a contagem de leucócitos.

E existe uma pergunta que ajuda muito no raciocínio:

Qual linhagem está aumentada?

Neutrofilia, linfocitose, eosinofilia ou monocitose podem apontar para caminhos diferentes.

Por isso, não é apenas o número de leucócitos que importa. É o padrão do hemograma, a história clínica e a persistência da alteração.

Na prática, antes de tratar o número, vale entender o que ele está tentando dizer.

Uma anemia isolada tem muitas explicações possíveis.Mas imagine um paciente acima de 60 anos com anemia, dor óssea e can...
13/08/2026

Uma anemia isolada tem muitas explicações possíveis.

Mas imagine um paciente acima de 60 anos com anemia, dor óssea e cansaço. Agora, além disso, aparece alteração da função renal ou hipercalcemia.

Nenhum desses achados, sozinho, diagnostica mieloma múltiplo.

Mas a combinação muda a pergunta.

Será que essa anemia está realmente explicada?

Esse é um ponto importante para quem não é hematologista: o objetivo não é reconhecer o mieloma quando ele já chegou com fraturas, hipercalcemia ou insuficiência renal.

É perceber antes que os sinais começam a formar um padrão.

Quando a história não fecha, vale investigar.

Antes de prescrever ferro para um paciente com anemia ferropriva, eu gosto de fazer uma pergunta simples:Por que esse fe...
12/08/2026

Antes de prescrever ferro para um paciente com anemia ferropriva, eu gosto de fazer uma pergunta simples:

Por que esse ferro está faltando?

História de sangramento, alterações gastrointestinais, uso de medicamentos, alimentação e contexto clínico podem mudar completamente a investigação.

E existe um grupo em que essa pergunta precisa ganhar ainda mais peso: homens adultos e mulheres após a menopausa.

Nesses casos, simplesmente repor ferro sem investigar a causa pode significar tratar o resultado e deixar a origem da perda passar despercebida.

Na hematologia, muitas vezes a pergunta certa vem antes do exame certo.

Nem toda alteração no hemograma exige encaminhamento imediato para o hematologista.Muitas alterações são transitórias, r...
11/08/2026

Nem toda alteração no hemograma exige encaminhamento imediato para o hematologista.

Muitas alterações são transitórias, reacionais ou podem ser esclarecidas com uma investigação inicial bem conduzida.

Mas algumas combinações de sinais laboratoriais e achados clínicos mudam completamente a prioridade.

Leucocitose importante associada à plaquetopenia.

Plaquetas persistentemente elevadas sem causa evidente.

Citopenias múltiplas.

Blastos no hemograma.

Esplenomegalia acompanhada de alterações hematológicas.

Nesses cenários, esperar um novo exame pode significar atrasar um diagnóstico que depende de tempo.

O desafio não é encaminhar todos os pacientes com exame alterado.

É reconhecer aqueles que não podem esperar.

Esse é o papel do raciocínio clínico: interpretar o hemograma dentro do contexto do paciente e saber quando a avaliação hematológica precisa acontecer agora.

Qual alteração no hemograma mais gera dúvida na hora de encaminhar?

10/08/2026

Anemia leve. Plaquetopenia leve. Neutropenia leve.

À primeira vista, alterações discretas podem parecer pouco preocupantes.

E realmente existem muitas causas possíveis e reversíveis: deficiência de ferro, vitamina B12 ou ácido fólico, doença renal, infecção, inflamação, medicamentos e sangramentos.

Por isso, a investigação inicial é fundamental.

Mas e quando essas causas já foram consideradas e o hemograma continua alterado?

É aí que o raciocínio precisa mudar.

Principalmente em pacientes acima de 60 anos ou com antecedente de quimioterapia ou radioterapia, a persistência de uma citopenia sem causa clara deve levantar a possibilidade de uma doença da medula óssea, como a síndrome mielodisplásica.

E existe um erro comum nesse cenário: esperar a alteração ficar mais grave para encaminhar.

Nem sempre é a intensidade da citopenia que chama atenção.

Às vezes, é o fato de ela continuar ali sem uma explicação.

Na hematologia, o tempo também faz parte da história clínica.

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