24/08/2026
"A apreensão de aproximadamente 40 mil plantas de cannabis em Cachoeira do Pajeú, em Minas Gerais, voltou a expor o contraste entre os recursos mobilizados para combater o cultivo ilegal e o potencial de uma cadeia produtiva regulamentada no Brasil.
A nova fase da Operação Colheita Proibida foi deflagrada pela Polícia Federal na quinta-feira (20), com apoio da CIPE-Caatinga da Bahia e da Polícia Civil de Minas Gerais. Segundo a Polícia Federal, a ação teve como objetivo erradicar uma plantação ilegal de maconha localizada no município mineiro.
A operação também cumpriu 13 mandados de prisão preventiva e 12 de busca e apreensão na Bahia, em Pernambuco e em Alagoas. A Justiça ainda determinou o sequestro de cinco imóveis e o bloqueio de até R$ 50 milhões em contas vinculadas a 36 pessoas físicas e jurídicas.
Os investigados poderão responder pelos crimes de organização criminosa, financiamento do cultivo ilegal de maconha, tráfico de dr**as, associação para o tráfico e lavagem de dinheiro.
Embora a investigação trate de uma atividade considerada ilegal, a dimensão da plantação reacendeu o debate sobre a política de dr**as e a necessidade de o Brasil avançar na regulamentação dos usos medicinal e industrial da cannabis.
A apreensão não significa que as plantas encontradas poderiam ser destinadas diretamente à produção de medicamentos ou ao atendimento de pacientes. Uma cadeia medicinal regulamentada exige controle genético, rastreabilidade, padrões de qualidade, limites de THC, análises laboratoriais e acompanhamento sanitário.
O episódio, entretanto, coloca em discussão o destino econômico e social que áreas agrícolas poderiam ter caso produtores autorizados fossem incorporados a cadeias legais, supervisionadas e voltadas à fabricação de insumos terapêuticos ou produtos industriais.
Para o advogado e ativista pelo fim da guerra às dr**as Erik Torquato, a operação evidencia uma contradição na forma como o país trata a planta..."
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