05/10/2026
A afirmação de que “3 g de glicina são suficientes para estimular o GH endógeno” precisa ser analisada considerando dose, via de administração e desfecho avaliado.
Kasai e colaboradores (1978) observaram aumento agudo do GH após administração oral de aproximadamente 5,6 g de glicina em 19 indivíduos saudáveis e não obesos. Em outro estudo, de 1980, doses de 4, 8 e 12 g também estimularam a liberação de GH, mas por via intravenosa. Esses resultados demonstram uma possibilidade fisiológica, porém não comprovam o mesmo efeito com 3 g por via oral.
A dose de 3 g antes de dormir foi investigada por Inagawa et al. (2006) e Yamadera et al. (2007), com resultados favoráveis em alguns parâmetros do sono. Esses estudos não estabelecem essa dose como eficaz para aumentar o GH.
Além disso, elevação aguda do GH não equivale, automaticamente, a aumento sustentado da atividade hormonal ou a benefícios em hipertrofia, redução de gordura e recuperação. Esses efeitos precisam ser demonstrados diretamente.
Portanto, a evidência disponível sustenta que a glicina pode estimular a secreção de GH em determinadas condições experimentais. Entretanto, não estabelece 3 g por via oral como dose comprovadamente eficaz para esse objetivo, nem demonstra benefícios corporais decorrentes dessa estratégia. Isso representa ausência de comprovação suficiente, e não prova de ausência de efeito.
Referências:
• Kasai et al., 1978 — Metabolism. DOI: 10.1016/0026-0495(78)90165-8.
• Kasai et al., 1980 — Acta Endocrinologica. DOI: 10.1530/acta.0.0930283.
• Inagawa et al., 2006 — Sleep and Biological Rhythms. DOI: 10.1111/j.1479-8425.2006.00193.x.
• Yamadera et al., 2007 — Sleep and Biological Rhythms. DOI: 10.1111/j.1479-8425.2007.00262.x.