01/07/2026
Movimento não é uma categoria única
Como diferentes estímulos corporais podem apoiar diferentes dimensões do envelhecimento
Falar em movimento na velhice exige cuidado. Não existe uma única modalidade ideal para todos, nem uma atividade capaz de responder sozinha às diferentes necessidades do envelhecimento.
A dança, por exemplo, combina ritmo, memória, atenção, coordenação, equilíbrio e interação social. Uma revisão sistemática com metanálise publicada na Age and Ageing (Hewston et al., 2021) analisou os efeitos da dança na função cognitiva de pessoas idosas e apontou benefícios especialmente quando a atividade envolve aprendizado, coordenação e engajamento.
Exercícios resistidos, por outro lado, tendem a ser especialmente relevantes para força e massa muscular, dimensões diretamente ligadas à funcionalidade. Atividades em meio aquático podem favorecer movimentos com menor impacto articular. Práticas adaptadas podem contribuir para consciência corporal, mobilidade, equilíbrio e bem-estar.
A ideia não é colocar uma modalidade acima da outra. O mais importante é perguntar: que dimensão do cuidado essa atividade favorece? Força? Equilíbrio? Coordenação? Socialização? Prazer? Preservação da autonomia?
Quando o cuidado considera diferentes perfis funcionais, o movimento deixa de ser apenas “atividade física” e passa a ser estratégia. Uma música conhecida, uma caminhada supervisionada, uma dança leve, uma tarefa manual ou um exercício orientado podem ter valores diferentes para pessoas diferentes.
O corpo idoso não precisa ser comparado ao que já foi. Ele precisa ser reconhecido no que ainda pode sustentar, adaptar e expressar.