Psicanálise em Prosa e Verso

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Psicanálise em Prosa e Verso DANIELLA SALGADO, psicanalista. "Felicidade como algo individual". Daniella Salgado, psicanalista, professora e enfermeira.

11/09/2026
Quando o não aprender é aprendido antes da criançaÉ comum ouvirmos, ainda hoje, que determinadas crianças não aprendem. ...
10/09/2026

Quando o não aprender é aprendido antes da criança

É comum ouvirmos, ainda hoje, que determinadas crianças não aprendem. Quando se trata de criança com deficiência, essa afirmação pode aparecer quase como um comentário meio que "en passant", muitas vezes, não são pronunciadas com a intenção consciente de excluir e é justamente aí que está uma questão importante: o capacitismo não nasce apenas de atitudes individuais de preconceito, ele é também uma construção histórica, social, cultural e institucional. Eles são produzidos nos modos de olhar para os corpos, focando nas diferenças e não enxergando
as potencialidades de cada sujeito. Ao longo do tempo, a sociedade foi ensinada a associar deficiência a incapacidade, assim, certas ideias podem se instalar nesse imaginário social antes mesmo que nos darmos conta delas. Aprendemos, de diferentes maneiras, quem é considerado capaz, produtivo, inteligente, quem pode ocupar determinados espaços e, sobretudo, quem se espera que aprenda. A criança com deficiência frequentemente chega à escola precedida por nomeações que dizem sobre ela antes que alguém tenha se disposto a escutá-la. O diagnóstico, a deficiência, o laudo, a classificação, o nível de suporte ou a condição clínica podem tornar-se, inadvertidamente, uma espécie de antecipação do sujeito, ou seja, criança passa a ser vista a partir daquilo que lhe falta, e não a partir daquilo que pode produzir na relação com os pares, com o saber, com o Outro. Mas, é preciso perguntar: quando sugerimos que uma criança específica não aprende, estamos descrevendo uma impossibilidade da criança ou revelando, também, os limites das condições que lhe oferecemos para aprender?
Essa pergunta desloca o problema, pq não se trata de negar as deficiências, as limitações funcionais ou as necessidades específicas de cada sujeito, tampouco significa romantizar a inclusão, ou afirmar que todas as crianças aprenderão da mesma maneira: trata-se de não transformar uma condição em destino: uma criança pode não responder ao modelo de aprendizagem que a escola tradicionalmente reconhece (pode não falar, não desenhar organizado, brincar de forma funcional, escrever dentro do recorte etário, não permanecer sentada, não responder às atividades convencionais, não demonstrar aquilo que sabe pelos meios esperados), mas isso não autoriza concluir que não há aprendizagem, desejo, produção de sentido ou possibilidade de participação.
Talvez uma das formas mais perversas do capacitismo seja justamente fazer com que confundamos ausência de resposta com ausência de sujeito. A escola, então, encontra um desafio ético e político: sustentar a presença daquele que não corresponde ao aluno idealizado. Pq incluir não é apenas permitir que a criança esteja fisicamente dentro da escola, pertencer é outra coisa. Uma criança pode estar matriculada, frequentar um espaço, possuir um professor de apoio, receber adaptações e, ainda assim, permanecer simbolicamente do lado de fora. Pode estar presente no espaço físico e ausente do campo das expectativas. E aqui aparece uma questão decisiva: o que esperamos de uma criança quando acreditamos que ela não aprenderá? A expectativa não é neutra, ela organiza as ações, as escolhas pedagógicas, aquilo que é oferecido, o tempo que é disponibilizado, as perguntas que são feitas, os desafios que são propostos e até mesmo aquilo que é conseguido enxergar como aprendizagem. Se acreditamos que determinada criança apenas necessita de cuidados, podemos reduzir sua experiência escolar ao cuidado, se acreditamos que ela não compreenderá, talvez deixemos de falar com ela e de escutar seus silêncios. Isso abre uma ressonância muito ruim do que se entende como educação de qualidade como uma aposta no sujeito em suas capacidades, como estão amplamente debatidos em nossos normativos e nos meios acadêmicos vigentes. Muito importante continuar estudando, debatendo, buscando, aprendendo, inventando lugares, palavras e abrindo espaços para se surpreender com as crianças "desacreditadas" , que, não só aprendem, como nos ensinam de várias formas.

Daniella Salgado, pesquisadora das interfaces entre saúde, educação e psicanálise, com atuação profissional na enfermagem, na educação e na clínica psicanalítica.

31/08/2026
15/08/2026

Fui no lançamento de Olívia Viana hoje. Foi muito lindo!👏🏻✨ Primeiramente o tema sobre o voo já me instigava e me teletransportava para meus próprios sonhos... O passarinho de outrora, a asa nascendo da carne e tornando-se parte de mim...Divaguemos! Junto ao livro havia uma fotografia que justamente, me arrepiou e trouxe conexão... A Mais-Um, virou Mais-Dois e o esse evento virou Mais-Voo... Lindo demais tudo! Amei.🥰🪽

Dia dos PaisSer pai é mais do que gerar.É ocupar um lugar.Um lugar que se constrói no cuidado cotidiano, na presença, na...
09/08/2026

Dia dos Pais

Ser pai é mais do que gerar.
É ocupar um lugar.
Um lugar que se constrói no cuidado cotidiano, na presença, na palavra que acolhe e também naquela que diz “não”. É oferecer proteção sem aprisionar, sustentar sem possuir, amar sem fazer do filho objeto de suas próprias faltas.
A função paterna não se confunde necessariamente com o homem, nem com o pai biológico. Ela diz respeito a uma operação simbólica: aquela que introduz a criança na dimensão da lei, do limite, da diferença e da separação. O pai, nesse sentido, é também aquele que realiza um corte, não como abandono, mas como possibilidade de que a criança possa, pouco a pouco, deixar de ser apenas objeto do desejo do Outro para construir seu próprio lugar no mundo.
Por isso, há muitos modos de uma criança ter um pai. Há pais biológicos, pais que adotam, padrastos que assumem esse lugar, avôs, tios, dois pais, famílias monoparentais e tantas outras configurações nas quais alguém se dispõe a exercer essa função.
Porque a família não se define apenas pela sua forma, mas pelos laços que se constroem e pelos lugares que se sustentam.
Ser pai é cuidar.
É transmitir.
É colocar limites.
É oferecer presença.
É suportar a separação.
É reconhecer que aquele filho não veio ao mundo para realizar os sonhos de ninguém, mas para tornar-se sujeito de sua própria história.
Neste Dia dos Pais, celebramos não apenas aqueles que receberam o nome de pai, mas aqueles que, no cotidiano, fazem existir o ato paterno.
A todos que ocupam esse lugar com amor, responsabilidade e desejo de que uma criança possa crescer e, um dia, caminhar com as próprias pernas: Feliz Dia dos Pais.

O debate em torno do Dr. Anthony Fauci e da condução da pandemia merece ser investigado com seriedade, transparência e r...
05/08/2026

O debate em torno do Dr. Anthony Fauci e da condução da pandemia merece ser investigado com seriedade, transparência e respeito ao devido processo legal. Entretanto, ainda que erros de gestão ou condutas individuais venham a ser confirmados, isso não invalida décadas de conhecimento científico nem a eficácia de vacinas que salvaram milhões de vidas.
Hoje, enquanto doenças como o sarampo voltam a preocupar diversos países, é fundamental separar a crítica política da evidência científica. Vacinar-se não é um ato de alinhamento ideológico, mas de responsabilidade consigo, com as crianças, os idosos e todos aqueles que dependem da imunidade coletiva para estarem protegidos.
Que possamos exigir verdade, responsabilização quando necessária e, ao mesmo tempo, preservar aquilo que a ciência já demonstrou de forma consistente: as vacinas continuam sendo uma das mais importantes ferramentas de prevenção de doenças e de proteção da vida. Lembre-se sempre disso.

Julho e o seu nome de ImperadorJulho chegou imperativo, sob vários aspectos. Quando eu era criança, era um mês inteirame...
01/08/2026

Julho e o seu nome de Imperador

Julho chegou imperativo, sob vários aspectos. Quando eu era criança, era um mês inteiramente de férias. Há anos já não é mais assim, mas ele sempre começa comigo em negação. Enfim, sigamos... Dando o meu melhor, fazendo o que é possível e sendo grata por estar cercada de boas parcerias.
Entre contagem regressiva, risadas e maus humores, é só a vida sendo vida e eu sendo eu. O Brasil ainda me perde a Copa logo no início, e não deu para sustentar a pose de equilibrada...
Cansaços e decepções à parte, veio o recesso e, com ele, algo de valor inestimável para mim: o tempo. Tempo para fazer tudo com calma e em câmera lenta, acordar sem hora, estar com meus amores sem pressa, passear, assistir à série que eu tanto ensaiava ver, me emocionar com o documentário da Preta, exorcizar alguns filmes da minha vida, solucionar enigmas, revisitar um livro, participar da reunião dos cartéis com mais foco, tomar um café demorado, encontrar pessoas queridas, revisitar um lugar da infância, fantasiar um lugar futuro, viajar na maionese, escrever, escrever, escrever... e enviar, rs.
Também houve tempo para preparar a apresentação do Colóquio, dar todos os cheiros e grudes no meu filho, sair com minha filha e aproveitar cada palavra, cada escuta, cada troca e cada sotaque que o Colóquio me proporcionou.
Enfim, no fim das contas, julho arrasou.

Sobre o 16º Colóquio Internacional do LEPSI 16° Colóquio Internacional LepsiFoi um misto de entusiasmo, emoção e pertenc...
01/08/2026

Sobre o 16º Colóquio Internacional do LEPSI 16° Colóquio Internacional Lepsi
Foi um misto de entusiasmo, emoção e pertencimento

A interlocução entre Psicanálise, Educação e Política é, para mim, mais do que um campo de estudo: é um lugar onde também me encontro. É como emprestar um pouco de mim ao debate e, ao mesmo tempo, deixar-me atravessar por ele.
Foram tantas falas, experiências, testemunhos e emoções... "O inconsciente tem cor?" Histórias dos quilombos, a "Ocupação Psicanalítica" , as construções identitárias: "Pode um negro ser psicanalista?" Temas que dialogam profundamente com minhas pesquisas. Teve a lembrança de Caetano Veloso: "..quase todos pretos dando porrada na nuca de malandros pretos..." - E de ruídos que são contínuos em algumas vidas... Lutemos!
Teve os impossíveis de Freud: educar, analisar e governar, que atravessaram muitas das discussões. Houve ancestralidade, xamã, memórias coletivas, bacanga, territórios... inclusive o nosso território e suas conexões.
Estiveram presentes o infamiliar, a lalíngua, o mal-estar na civilização e a psicanálise como escuta dos sujeitos diante das estruturas de poder. Houve também uma potente articulação com Paulo Freire e a educação como um ato político de libertação. E houve o movimento "Vidas Negras com Deficiência Importam", reafirmando a urgência de pensar as intersecções entre racismo, capacitismo e as diferentes formas de exclusão.
E houve, também, a minha apresentação: "Infâncias contemporâneas: mal-estar, sintomas e o declínio do Nome-do-Pai". Um momento em que pude compartilhar minhas inquietações, transmitir um pouco do meu percurso e também contribuir para o diálogo...
Teve indicação de livros, risadas, encontros, reencontros, sotaques, abraços e muitos enlaces.
Saio do 16º Colóquio profundamente atravessada por tudo o que vivi. Foi uma experiência que me instigou, ampliou minhas perguntas e reafirmou, mais uma vez, o lugar em que desejo continuar pesquisando, ensinando e aprendendo.

Que venham os próximos.
Vamos multiplicar 'a bolha' !

Gratidão!!

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Belo Horizonte, MG

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