Dra. Julia Berto Endocrinologista

Dra. Julia Berto Endocrinologista Medica Endocrinologista

02/06/2026

Sentir fome o tempo todo não é sempre uma questão de comportamento.

Durante o European Congress on Obesity 2026, especialistas discutiram a hiperfagia como um ponto importante na avaliação da obesidade.

A hiperfagia é uma manifestação mais intensa e persistente da fome. Diferente de episódios pontuais de compulsão alimentar, ela se caracteriza por menor saciação, fome frequente, pensamento constante em comida e maior busca alimentar.

Alguns pacientes relatam necessidade de comer pouco tempo após as refeições, dificuldade em se sentir satisfeitos e irritabilidade quando não conseguem se alimentar.

Esse padrão pode indicar formas mais graves de obesidade, incluindo causas genéticas, como a obesidade monogênica, e exige uma avaliação clínica cuidadosa.

Outro ponto importante é a resposta ao tratamento. Nesses casos, intervenções comportamentais isoladas tendem a ter menor efeito, e o tratamento farmacológico passa a ter um papel relevante.

Reconhecer esse padrão muda a forma de conduzir o caso e evita interpretações simplistas sobre o comportamento alimentar.



Dra. Julia Berto
Médica Endocrinologista
CRM SC 17434 | RQE 14773
Clínica Pais e Filhos, Braço do Norte

Não sei se já contei por aqui, mas comecei a fazer aula de cerâmica.E tem uma coisa que acontece enquanto estou ali, com...
29/05/2026

Não sei se já contei por aqui, mas comecei a fazer aula de cerâmica.

E tem uma coisa que acontece enquanto estou ali, com a peça na mão: ela nem sempre responde do jeito que eu imaginei.

Às vezes entorta. Às vezes cede mais de um lado. Às vezes preciso voltar etapas que eu achei que já estavam prontas.

E não tem muito como apressar isso.

Se eu coloco força demais, perde a forma. Se eu tento corrigir rápido, piora.

Tem que sentir o material, ajustar aos poucos, aceitar que nem tudo vai sair como o planejado e seguir.

Em alguns momentos, parece que nada muda. Mas, olhando com mais atenção, está mudando sim. Só não do jeito mais óbvio.

Acho curioso como isso se parece com o corpo e a nossa saúde.

Nem tudo é imediato. Nem tudo é visível na hora. E nem tudo que parece “não estar funcionando” realmente não está.

Tem coisa que ainda está se organizando.

E talvez a parte mais difícil seja essa: continuar, mesmo quando o resultado não aparece no tempo que a gente gostaria.

Dra. Julia Berto
Médica Endocrinologista
CRM SC 17424 | RQE 14773
Clínica Pais e Filhos, Braço do Norte

EndocrinologistaBraçodoNorte

26/05/2026

Além da forma de uso, existe um ponto que chama atenção nesse novo medicamento: o potencial custo.

O orforglipron é um agonista de GLP-1 de molécula pequena, desenvolvido para uso oral.
Diferente das canetas injetáveis, que são peptídeos e exigem produção mais complexa, cadeia de frio e dispositivos de aplicação, ele tem uma estrutura química mais simples.

Na prática, isso pode facilitar a fabricação, o armazenamento e a distribuição. E é daí que surge a expectativa de um tratamento mais acessível no futuro.

Esse tema ganhou destaque no European Congress on Obesity 2026, com o estudo ATTAIN-MAINTAIN, que avaliou a troca de semaglutida e tirzepatida pelo orforglipron na fase de manutenção.

Os resultados mostraram que pacientes que vinham da semaglutida mantiveram o peso relativamente estável. Já aqueles que vinham da tirzepatida tiveram um leve reganho, em torno de 5%, ainda preservando a maior parte da perda e dos benefícios metabólicos.

Mais do que a troca em si, o estudo traz uma discussão importante sobre como conduzir o tratamento no longo prazo, considerando adesão, custo e viabilidade.

O orforglipron ainda está em fase de estudo clínico e não está disponível no Brasil, nem aprovado para uso em outros países até o momento.

Dra. Julia Berto
Médica Endocrinologista
CRM SC 17434 | RQE 14773
Clínica Pais e Filhos, Braço do Norte

O tratamento da obesidade e do diabetes está entrando em uma nova fase.No European Congress on Obesity 2026, os dados do...
23/05/2026

O tratamento da obesidade e do diabetes está entrando em uma nova fase.

No European Congress on Obesity 2026, os dados do estudo REDEFINE-1 chamaram atenção para uma nova abordagem: a combinação de cagrilintida (análogo da amilina) com semaglutida.

Essa associação atua em mecanismos complementares de regulação do apetite e do metabolismo, o que ajuda a explicar resultados mais expressivos.

Nos dados apresentados, a redução de peso chegou a cerca de 23% em um contexto de ensaio clínico, com acompanhamento estruturado.

Mas o impacto não foi só na balança.

Também houve melhora de parâmetros metabólicos e, em mais de um terço dos pacientes, foi possível reduzir ou suspender medicações para pressão arterial.

Além disso, estudos com essa mesma classe, como o REIMAGINE-2, já vêm mostrando benefícios importantes também no controle do diabetes.

O que esses dados mostram não é apenas um tratamento mais potente. Mas uma nova forma de abordar obesidade e diabetes: olhando para múltiplos mecanismos, de forma integrada.

E reforçando um ponto central: não existe solução única. Existe o tratamento certo para cada paciente.



Dra. Julia Berto
Médica Endocrinologista
CRM SC 17434 | RQE 14773
Clínica Pais e Filhos, Braço do Norte

19/05/2026

“Doutora, e quando eu parar o remédio?”

Essa pergunta quase sempre vem acompanhada de um medo silencioso: “Será que vai voltar tudo?”

E eu entendo.

Porque quando o peso começa a responder, a gente não quer perder o que conquistou.

Mas existe uma coisa importante que precisa ser dita com clareza:
o corpo não “esquece” tão fácil o padrão que ele já teve.

Ele continua regulando fome, saciedade e gasto de energia
com base em uma história que não começou agora.

Por isso, o desmame não é só tirar a medicação.
É um processo de transição.

E essa transição pode ser diferente para cada pessoa.

Algumas conseguem reduzir e suspender.
Outras precisam de mais tempo.
E, para algumas, o uso contínuo pode ser parte do tratamento.

E talvez o ponto mais importante seja esse:
não existe um “jeito certo” que serve pra todo mundo.

Existe o que faz sentido para o seu corpo, naquele momento.

Por isso, esse não é um caminho que vale a pena fazer sozinho.

Ajustar, observar e, às vezes, recalcular também faz parte do tratamento.


Dra. Julia Berto
Médica Endocrinologista
CRM SC 17424 | RQE 14773
Clínica Pais e Filhos, Braço do Norte

Obesidade

Nem sempre o que afasta alguém do tratamento é a falta de informação. Às vezes, é o medo do que vem junto com ele.Um est...
15/05/2026

Nem sempre o que afasta alguém do tratamento é a falta de informação. Às vezes, é o medo do que vem junto com ele.

Um estudo publicado na Nature em 2024, conduzido pela antropóloga Trainer Brewis, mostrou o quanto o estigma ainda está presente na obesidade, inclusive no momento em que a pessoa decide buscar cuidado.

Não pelos comentários isolados.
Mas pela expectativa de ser julgada.

De entrar em um consultório já se sentindo observada.
De antecipar opiniões que nem foram ditas, mas que já foram vividas antes.

Esse tipo de experiência vai se acumulando.
E, com o tempo, pode fazer com que muitas pessoas adiem consultas, evitem falar sobre o assunto ou até desistam de procurar ajuda.

Não porque não querem se cuidar. Mas porque se cuidar, nesse contexto, também exige enfrentar esse olhar.

E isso cansa.

A obesidade é uma doença complexa, com determinantes biológicos, ambientais e comportamentais.
Mas o estigma ainda faz com que ela seja tratada como uma falha individual.

E enquanto essa percepção não muda, o acesso ao cuidado continua sendo impactado, mesmo quando ele está disponível.

Falar sobre tratamento também passa por isso. Por construir um espaço onde a pessoa não precise se defender para ser cuidada.

Dra. Julia Berto
Médica Endocrinologista
CRM SC 17424 | RQE 14773
Clínica Pais e Filhos, Braço do Norte

12/05/2026

Tem estudo novo chamando atenção e ele foi feito exatamente pra responder essa pergunta.

A semaglutida (presente em medicamentos como Ozempic e Wegovy) foi avaliada em um ensaio clínico randomizado, duplo-cego e controlado por placebo, publicado no The Lancet.

Foram 108 adultos com obesidade e uso problemático de álcool, acompanhados por 26 semanas.

👉 Quem usou a medicação teve menos episódios de consumo elevado
👉 E também reduziu a quantidade total de álcool

Mas isso não transforma a semaglutida em tratamento para alcoolismo.

O estudo é inicial, feito em um grupo específico, e ainda precisamos de mais dados.

O que ele sugere é algo interessante: esses medicamentos podem atuar também em áreas do cérebro ligadas ao desejo e à compulsão, não só à fome.

👉 Se você percebe mudanças nos seus hábitos durante o uso, vale trazer isso para a consulta.

Dra. Julia Berto
Médica Endocrinologista
CRM SC 17434 | RQE 14773
Clínica Pais e Filhos, Braço do Norte

Tem um tipo de cuidado que a gente só entende depois.Não é o que aparece.É o que se repete.Minha mãe nunca precisou expl...
10/05/2026

Tem um tipo de cuidado que a gente só entende depois.

Não é o que aparece.
É o que se repete.

Minha mãe nunca precisou explicar muito.
Ela só fazia.
E, no meio das coisas mais simples, iam f**ando alguns recados:

“Vai brincar um pouco, menina.”
Um empurrão pra sair do lugar, gastar energia, viver o corpo.

“Come direito antes de sair.”
Pra não sair comendo qualquer coisa na rua.

“Não f**a beliscando toda hora.”
Um cuidado que ficou e que eu levo comigo até hoje.

Na época, eram só frases soltas.
Hoje, eu vejo continuidade.

Vejo que saúde também se constrói assim:
no que é repetido, no que parece pequeno, no que ninguém aplaude.

E talvez por isso, até hoje, ela ainda apareça na minha casa, arrume uma coisa aqui, outra ali… como quem segue cuidando, do jeito que sempre soube.

💗 Nesse Dia das Mães, eu penso menos nas grandes declarações
e mais nesse cuidado quieto, constante, que atravessa o tempo.

Feliz dia para todas as mães!

Dra. Julia Berto
Médica Endocrinologista
CRM SC 17434 | RQE 14773

Você começou a usar semaglutida ou liraglutida… e, de repente, o intestino simplesmente travou?Isso pode acontecer.Esses...
08/05/2026

Você começou a usar semaglutida ou liraglutida… e, de repente, o intestino simplesmente travou?

Isso pode acontecer.
Esses medicamentos desaceleram o esvaziamento do estômago e o trânsito intestinal — faz parte do efeito deles no corpo.

Mas aqui está o ponto que pouca gente fala:
quando o intestino desacelera demais, deixa de ser só um efeito esperado.

No começo, podem aparecer sinais mais leves:
→ evacuações menos frequentes
→ fezes mais ressecadas
→ sensação de inchaço

E algumas atitudes já ajudam muito:
• beber mais água ao longo do dia
• aumentar fibras (com cuidado e progressivamente)
• manter o corpo em movimento

Só que existe um limite.

Se você:
→ f**a vários dias sem evacuar
→ sente dor abdominal
→ percebe distensão importante
→ tem náuseas associadas

isso não deve ser normalizado.

Nesses casos, pode ser necessário ajustar a dose, associar alguma medicação ou até reavaliar o uso.

Nem todo efeito colateral precisa ser tolerado.
O tratamento precisa funcionar para o seu objetivo — sem prejudicar o seu bem-estar no processo.

Se o seu corpo mudou, o plano também precisa mudar.

Dra. Julia Berto
Médica Endocrinologista
CRM SC 17424 | RQE 14773
Clínica Pais e Filhos, Braço do Norte

Tem encontros que não são só encontros. São espelhos.Nesse último fim de semana, voltei no tempo — ou talvez tenha trazi...
05/05/2026

Tem encontros que não são só encontros. São espelhos.

Nesse último fim de semana, voltei no tempo — ou talvez tenha trazido o tempo todo comigo. Rever meus colegas de medicina, 15 anos depois, mexeu com um lugar difícil de explicar. Um misto de nostalgia, orgulho e uma sensação silenciosa de “quanta coisa aconteceu até aqui”.

A gente chega lá atrás cheio de certezas… e a vida, com delicadeza (e às vezes nem tanto), vai lapidando, ajustando, amadurecendo. Olhar para cada um agora, com suas escolhas, caminhos e histórias, foi como folhear um álbum vivo — daqueles que a gente não quer fechar.

Eu me vi neles. E, de algum jeito, também me reencontrei em mim.

As comemorações oficiais são só em julho, mas confesso: já começou. E começou bonito. Porque, mais do que marcar o tempo que passou, esse encontro me lembrou daquilo que permanece — os vínculos, os aprendizados e a essência que nos trouxe até aqui.

Que privilégio viver tudo isso. E sentir, de novo, como se fosse a primeira vez.

Dra. Julia Berto
Médica Endocrinologista
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