Dr. Juliano Ribeiro

Dr. Juliano Ribeiro Informações e notícias sobre o câncer.

Formado em Medicina pela Faculdade de Ciências Médicas Dr. José Antônio Garcia Coutinho da Universidade do Vale do Sapucaí (Univás), em Minas Gerais, Dr. Juliano Ribeiro concluiu sua residência em cirurgia geral no Hospital do Campo Limpo em São Paulo e em Cirurgia Oncológica no Instituto Nacional de Câncer – INCA, no Rio de Janeiro.

Muitas pessoas me perguntam se trabalhar com oncologia todos os dias me deixa com medo de desenvolver câncer.A resposta ...
29/08/2026

Muitas pessoas me perguntam se trabalhar com oncologia todos os dias me deixa com medo de desenvolver câncer.

A resposta honesta é: não da forma que a maioria imagina.

Não porque eu me sinta imune.
Mas porque quem trabalha nessa área aprende cedo que o medo não é o melhor ponto de partida.

O medo paralisa.
O conhecimento, não.

O que aprendi sendo Cirurgião Oncologista é que a maioria das pessoas que enfrenta um diagnóstico tem mais recursos do que imagina, internos e externos.

Que o tratamento avança em ritmo que seria difícil de acompanhar há dez anos. Que o acompanhamento médico contínuo faz diferença real no desfecho.

Trabalhar nessa área me ensinou a respeitar profundamente cada história, cada escolha, cada trajetória. Me ensinou a separar o que é urgente do que é apenas assustador.

Me ensinou que presença e clareza valem mais do que tranquilizações vazias.

Se você sente medo diante de um diagnóstico, ou diante do risco de um, isso é completamente compreensível. O que eu quero que você saiba é que esse medo não precisa ser o único guia.

Existe outro caminho: entender o que está acontecendo, conversar com quem pode traduzir isso em informação, e agir a partir daí.

Quem passa pelo tratamento oncológico não volta a ser a mesma pessoa.E isso não é necessariamente ruim.A transformação q...
28/08/2026

Quem passa pelo tratamento oncológico não volta a ser a mesma pessoa.

E isso não é necessariamente ruim.

A transformação que o câncer provoca vai além do corpo.
Muda a forma como a pessoa percebe o tempo, o que merece atenção, o que pode esperar, o que não vale mais tanto quanto parecia.

Muda as relações: algumas se aprofundam, outras se mostram frágeis. Muda a relação com a própria saúde, com o corpo que antes era ignorado e agora é observado de perto.

Muitos pacientes descrevem uma clareza que não existia antes. Uma espécie de filtro que se instala e reorganiza prioridades.

Isso não significa que o processo foi fácil, nem que o medo desaparece quando o tratamento termina. A preocupação com a recidiva é real. O acompanhamento continua. O impacto físico e emocional deixa marcas que levam tempo para processar.

Mas o que aparece com frequência nas histórias de quem atravessou o diagnóstico e o tratamento é isso: uma vida que, mesmo diferente, carrega um sentido que antes não estava tão visível.

Se você está no meio do tratamento, esse post é só para dizer que o outro lado existe.

Uma das perguntas que mais aparecem no consultório, ditas ou não ditas: "Doutor, eu estou me sentindo bem demais. Isso é...
24/08/2026

Uma das perguntas que mais aparecem no consultório, ditas ou não ditas: "Doutor, eu estou me sentindo bem demais. Isso é normal?"

Existe uma crença muito difundida de que a quimioterapia funciona na mesma proporção em que machuca. Que os efeitos colaterais são a prova de que o medicamento está agindo. E que quando eles não aparecem, ou aparecem com menos intensidade, algo pode estar errado.

Essa crença gera ansiedade desnecessária e, em alguns casos, faz o paciente desconfiar do próprio tratamento.

Este carrossel existe para explicar, de forma direta, o que realmente indica se a quimioterapia está funcionando e o que não tem nada a ver com isso.

Se essa dúvida já passou pela sua cabeça, você não está sozinho.
E ela merece uma resposta clara.

Nem todo nódulo é câncer. E nem todo câncer parece assustador de início.Essa é uma das distinções mais importantes da on...
16/08/2026

Nem todo nódulo é câncer.
E nem todo câncer parece assustador de início.

Essa é uma das distinções mais importantes da oncologia: a diferença entre uma lesão benigna e uma maligna não está no tamanho, na cor ou na sensação que ela causa.

Está na análise histológica, no exame do tecido pelo patologista.

No caso da pele, o melanoma é o tipo de câncer com maior potencial de disseminação e, ao mesmo tempo, o que mais frequentemente é confundido com pintas ou manchas comuns.

A regra ABCDE ajuda a observar mudanças que merecem avaliação: Assimetria, Borda irregular, Cor variada, Diâmetro superior a 6mm e Evolução, qualquer mudança ao longo do tempo.

Mas a observação não substitui a consulta.
Uma lesão que não parece nada pode ser relevante.
Uma que assusta pode ser completamente benigna.

O que define o diagnóstico é o olho clínico treinado e, quando necessário, a biópsia.

Qualquer sinal físico que muda de comportamento merece atenção, não desespero, mas atenção.

Se você tem uma lesão de pele que alterou recentemente, agende uma avaliação.

Existe uma expectativa, da família, dos amigos, às vezes do próprio paciente, de que o fim do tratamento é o fim da hist...
07/08/2026

Existe uma expectativa, da família, dos amigos, às vezes do próprio paciente, de que o fim do tratamento é o fim da história.

Que depois da última sessão, do último exame com resultado positivo, tudo volta ao que era.
Na maioria das vezes, não é assim.

O corpo que passou por quimioterapia, radioterapia ou cirurgia não é o mesmo de antes.

Pode haver fadiga que demora meses para melhorar.
Alterações cognitivas que os pacientes chamam de "névoa do quimio".
Mudanças hormonais.
Cicatrizes físicas e emocionais que não somem quando o protocolo encerra.

A relação com o próprio corpo muda.
O modo de perceber o tempo muda.
Prioridades mudam.
Medos mudam de forma, o medo da doença em si pode ser substituído pelo medo de que ela volte.

Existe também o que se chama de síndrome do fim do tratamento: a sensação, paradoxalmente angustiante, de não ter mais a estrutura das consultas frequentes, das infusões agendadas, da equipe toda semana.

O tratamento virou rotina.
E a ausência dela pode desorientar.

Nada disso significa que algo deu errado.
Significa que o processo de sobrevivência é mais longo do que o tratamento em si, e que merece o mesmo cuidado.

Se você terminou o tratamento recentemente e sente que não está "voltando ao normal", isso tem nome.
E tem acompanhamento.

O câncer de pulmão é o tipo que mais mata no mundo. E também um dos que mais carrega estigma sobre quem adoece.A associa...
05/08/2026

O câncer de pulmão é o tipo que mais mata no mundo.
E também um dos que mais carrega estigma sobre quem adoece.

A associação com o tabagismo é real, o cigarro é, de fato, o principal fator de risco. Mas ela não conta a história completa.

Aproximadamente 20% dos casos de câncer de pulmão ocorrem em pessoas que nunca fumaram.

Poluição atmosférica, exposição ao radônio, contato com amianto e fatores genéticos também entram na equação.

O estigma de que "quem fuma sabe o que está fazendo" atrasa diagnósticos, dificulta conversas e, em muitos casos, faz com que o paciente chegue mais tarde ao serviço de saúde, num câncer onde o tempo faz diferença.

O Agosto Branco existe para colocar esse tema em pauta.

Hoje existem protocolos de rastreamento, com tomografia de baixa dose, recomendados para grupos específicos de risco.

Se você tem mais de 50 anos, histórico de tabagismo intenso ou exposição ocupacional a substâncias de risco, pergunte ao seu médico se esse rastreamento é indicado para você.

O estigma não salva ninguém.
O diagnóstico precoce, sim.💙

Quando alguém que a gente ama está em tratamento oncológico, a primeira reação costuma ser querer ajudar. Mas nem sempre...
31/07/2026

Quando alguém que a gente ama está em tratamento oncológico, a primeira reação costuma ser querer ajudar.
Mas nem sempre sabemos como.😅

E às vezes, com a melhor das intenções, fazemos coisas que não ajudam ou que chegam a pesar.

Esse carrossel não é um julgamento.
É uma forma de traduzir o que aparece nas consultas, no que os pacientes dizem sentir falta e no que dizem que cansa.

Se você tem alguém próximo em tratamento, vale a leitura.❤️

A pergunta que aparece com frequência depois de uma cirurgia de retirada de câncer de pele é: isso pode voltar?A respost...
30/07/2026

A pergunta que aparece com frequência depois de uma cirurgia de retirada de câncer de pele é: isso pode voltar?
A resposta honesta é: depende.

Depende do tipo de câncer de pele.
Depende do estágio em que foi diagnosticado.
Depende das margens cirúrgicas, se a retirada foi completa ou se havia células tumorais na borda do que foi removido.
E depende do acompanhamento que vem depois.

O carcinoma basocelular, por exemplo, raramente se espalha para outros órgãos, mas pode reaparecer no mesmo local ou em outra área da pele.

O melanoma tem comportamento diferente: quando detectado em estágio inicial e tratado adequadamente, as taxas de controle são altas, mas o risco de recidiva existe e precisa ser monitorado.

É por isso que a cirurgia não é o ponto final do tratamento.
Ela é uma etapa.
O que vem depois, o retorno periódico ao dermatologista ou ao oncologista, a proteção solar consistente, a atenção a novas lesões, é parte do protocolo tanto quanto o procedimento em si.

Se você passou por uma cirurgia de câncer de pele e não tem um acompanhamento regular estabelecido, converse com seu médico sobre qual intervalo de revisão faz sentido para o seu caso.

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