11/07/2026
Existem momentos em que percebemos algo curioso.
A vida finalmente começa a florescer.
O amor chega.
A paz chega.
Os vínculos se fortalecem.
E, ao invés de relaxar, o corpo entra em alerta.
Durante muito tempo pensei que isso fosse resistência.
Hoje compreendo diferente.
Nosso sistema nervoso aprende com a história.
Se um dia amar significou perder...
ele passa a vigiar o amor como se estivesse protegendo nossa vida.
Não porque queira nos impedir de viver.
Mas porque foi um excelente sobrevivente.
O problema é que sobreviver e viver não são a mesma coisa.
A terapia, a neurociência, a psicologia existencial e a psicologia analítica convergem para um mesmo ponto:
Chega um momento em que não precisamos abandonar a sobrevivente.
Precisamos apenas segurá-la pela mão.
As habilidades que aprendemos na dor não precisam continuar sendo um escudo.
Podem se tornar o alicerce da vida que agora escolhemos construir.
Talvez maturidade emocional seja justamente isso:
Parar de tentar controlar a impermanência.
E começar a viver plenamente o presente, sabendo que, se um dia a vida mudar novamente, estaremos mais inteiros para atravessá-la.
Porque coragem não é viver sem medo.
É permitir que o medo caminhe ao nosso lado, sem decidir o rumo da nossa vida.