30/06/2026
Em 2002, a publicação inicial do estudo Women’s Health Initiative (WHI) modificou profundamente a prática clínica mundial ao associar a terapia hormonal da menopausa a um aumento de determinados riscos. Como consequência, houve uma redução expressiva da prescrição da terapia hormonal e milhões de mulheres permaneceram sem tratamento para sintomas que comprometiam significativamente sua qualidade de vida. (PMC)
Duas décadas depois, análises adicionais do próprio WHI, além de inúmeros estudos subsequentes, demonstraram que o balanço entre riscos e benefícios depende principalmente da idade da paciente, do tempo desde o início da menopausa, da via de administração, da formulação utilizada e da presença de contraindicações. (PMC)
Hoje, existe amplo consenso entre as principais sociedades científicas de que a terapia hormonal continua sendo o tratamento mais eficaz para os sintomas vasomotores da menopausa, além de reduzir a perda óssea e o risco de fraturas em mulheres selecionadas. Para mulheres com menos de 60 anos ou até 10 anos após o início da menopausa, sem contraindicações, a relação benefício risco costuma ser favorável. (PubMed)
Isso não significa que a terapia hormonal seja indicada para todas as mulheres. Significa que a decisão deve ser individualizada, baseada em estratificação de risco, avaliação clínica e na melhor evidência científica disponível.
A medicina evolui. E nossas condutas também precisam evoluir com ela.
Principais referências
• Rossouw JE, et al. JAMA. 2002, Women’s Health Initiative (WHI).
• Manson JE, et al. JAMA. 2013, Follow-up dos estudos WHI. (PMC)
• The Menopause Society (antiga NAMS). 2022 Hormone Therapy Position Statement. (PubMed)