08/08/2026
Hoje eu estou de plantão, longe deles. E dias de plantão me deixam mais pensativa.
Talvez por que no plantão (principalmente em UTI neonatal) a gente como mãe vê o que não quer ver, mas como médica precisa: eu vejo mães chorando na portinha de uma incubadora, vejo elas sofrendo por que vão ter alta e não vão ter o bebê no colo naquele dia indo para casa com elas, vejo os olhos marejados quando não damos a noticia que querem ouvir. E vejo também o choro aliviado, que estava entalado, quando dizemos: Seu bebê está de alta!
Mas talvez eu fique mais pensativa também por que vejo tudo “de fora” - o choro da Catarina, a birra frustrada do Henrique, o almoço caótico, não acontecem comigo. E eu fico sabendo de “pequenas” partes da situação e consigo enxergar de forma mais racional e lembrar mais fácil daquela frase “é fase”!
A verdade é que, como nessa foto, se a gente olhar a situação de forma mais “distante” talvez conseguiremos lidar melhor com isso - Seja pensando que uma birra dentro de casa é tudo que uma mãe com filho na UTI quer ou então que um choro sem causa de um bebê de 1 ano não é nada além de algo que faz parte da vida nessa fase.
Olhar pela janela, de forma mais distante, mais leve e sem procurar muitas respostas, pode tornar nossa maternidade um pouco mais “tranquila”.
Vamos juntas?
Dra. Ana Paula M. Menini
Pediatra e Neonatologista
CRM 170534/RQE 87152